Há mais de dez anos…
Lembro perfeitamente como foi a última vez que testemunhei uma fala profética da “guerreira espiritual” Neuza Itioka: congresso profético-apostólico, cobrança de ingresso, igreja mega lotada, presença de políticos e celebridades…
TRISTES MEMÓRIAS…
Não consigo esquecer dela contando sobre como recebeu e usou um suposto “manto da invisibilidade” para invadir o “terreno do inimigo” — naquela ocasião, talvez por ser uma paulista deslumbrada com o Rio de Janeiro, disse que era o Sambódromo — e testemunhar coisas diabólicas sendo tramadas.
Acho que não era o único que sentia um misto de receio e euforia por pensar que estava desafiando frontalmente as hostes do inferno e aquela narrativa foi tão emocionalmente tramada para permitir a manipulação emocional de qualquer plateia não torcedora aberta por Satanás, que quando ela soltou a triunfalista frase “o Sambódromo vai ser conquistado e já pertence ao Senhor Jesus” foi uma explosão de urros, brados de vitória e aplausos!
É claro que aquela conquista profetizada carecia de vários rituais místicos como, por exemplo, episódios de unção com óleo e “marchas para Gezuis”: conforme o tempo passou fui, inicialmente, complementando a leitura dos muitos livros de batalha espiritual com breves consultas bíblicas; depois passei a alterná-las, me dedicando a compreender melhor a Palavra de Deus e não apenas com base em passagens fora de seu contexto; por fim identifiquei a promoção de tantos enganos naquele movimento que passei a repudiar e desaconselhar qualquer envolvimento com tanto lixo deturpador da Palavra, místico, supersticioso, de manipulação política, indução comercial e causador de seriíssimos distúrbios mentais.
O ápice da minha repulsa aconteceu em 2019, não apenas quando uma escola de samba — justo de São Paulo! — imaginou e encenou o espancamento e humilhação de Cristo por Satanás, mas principalmente pelos argumentos apresentados pelo promotor ao ser solicitada a aplicação do artigo 208 do Código Penal:
Houve apenas um desfile carnavalesco em que a figura do demônio, símbolo do mal, açoita e humilha Jesus, símbolo da fé cristã (…) Existe, apenas, alegoria carnavalesca, de conteúdo simbólico, indicando que o ‘mal’ pode vencer o ‘bem’ (…) O fato de o requerente não ter gostado da crítica e da utilização de elementos religiosos para elaboração dela, não implica a prática de crime ou excesso no exercício da liberdade de expressão. Não gostar de manifestações culturais ou mesmo não concordar com essas manifestações (e a forma que elas são feitas) é perfeitamente razoável e aceitável dentro de um contexto democrático. Todavia, importa ressaltar que o desagradável não é excesso de exercício de direito ou crime.
(…)
Não existe qualquer ato lesivo ao patrimônio público e não se pode dizer que a ação principal teria natureza de ação popular.
Pelo que entendi, na perspectiva desse promotor ou só haveria qualificação de crime se o próprio Senhor Jesus Cristo tivesse sofrido os ataques e, para ter validade, iniciado a ação como pessoa física… ou que o salvador do mundo ficaria dependendo de que a sociedade movesse uma ação para que sua integridade e honra pudessem ser judicialmente recuperadas.
Lembre-se disso da próxima vez que virem gente andando pelada ou enfiando crucifixos no ânus, pois a esses degenerados basta alegar que seus atos são arte e não apenas passarão impunes, mas correm o risco de se tornar “intocáveis”, conforme o veredito do juiz relativo a esse episódio:
A oposição de embargos fora das hipóteses legais e/ou com postulação meramente infringente poderá levar à imposição de multa.
Decisão digna de um futuro ministro do STF… e quem ousar tocar novamente no assunto ainda será multado!
Todo esse destrato ao cristianismo acabou me remetendo àquela profecia infeliz: se nem o sambódromo de sua cidade aquela mulher conseguiu “conquistar” para Jesus, quanto mais ver realizada uma profecia triunfalista, porém vazia, proferida para iludir e agradar um público ávido por emoção, mas incapaz sequer de lembrar da recomendação bíblica — que apesar de veterotestamentária, continua vigente —— acerca de qualquer profeta:
Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome,
(Deuteronômio 18:20-22)
que eu não lhe tenha mandado falar,
ou o que falar em nome de outros deuses,
esse profeta morrerá.
E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou?
Quando o profeta falar em nome do SENHOR,
e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim;
esta é palavra que o SENHOR não falou;
com soberba a falou aquele profeta;
não tenhas temor dele.
“Profetizar” NÃO É SINÔNIMO para expressar o que deseja o seu coração!!!
A “profissão” de profeta é absolutamente distinta da dos diversos tipos de “futurólogos” místicos existentes no mercado simplesmente porque não existe “margem de erro” para uma profecia legítima, pois ela não pode ser condicionada a execução de — como se diz nas religiões africanas — “trabalhos”, despachos, mandingas, oferendas ou qualquer coisa semelhante:
PROFECIA DITA, PROFECIA CUMPRIDA… OU NÃO VEIO DE DEUS.
Apesar de ter dito uma mentira e, através disso, servido ao próprio Satanás, pelo menos a criatura gananciosa não induziu ninguém a servir outros deuses, atitude cujas consequências são bastante piores e estão claramente descritas em Deuteronômio 13.
Leu?
Ela (e muitos outros) até escapam da morte por apedrejamento, mas não apenas deveriam ser sumariamente destituídos de toda honra e glória que os cercam, mas, pelo desserviço prestado, impedidos de se pronunciar em qualquer empresa eclesiástica que se desse ao mínimo de respeito: ao proferir essas e outras mentiras a partir de um púlpito, eles não estão apenas cometendo pecado contra cada ouvinte, mas servindo ao próprio pai da mentira e em rebelião aberta contra o Senhor Deus!
Só sei dizer que quase tudo que li naquela época — Neuza Itioka, Rebecca Brown, Ana Méndez-Ferrell, Daniel Mastral… — se transforma em lixo ao, como fez a escola de samba paulista, desprezar o sacrifício definitivo na cruz do Calvário para recosturar o véu do Templo e submeter pretensos cristãos a uma absolutamente desnecessária, escravizante e opressora rotina de inúteis práticas místicas, a começar por qualquer coisa que envolva a utilização do idolatrado óleo de unção…
Lembro perfeitamente que — conforme descobri a Verdade — fui publicando diversos estudos exaustivos sobre os muitos enganos contidos em seus livros: estes “guerreiros espirituais proféticos” acabam se colocando numa posição de corredentores, cujas obras contêm “segredos” e “revelações” capazes de ensinar o leitor a evitar “retaliações”, “possessão” ou até mesmo a morte!
Ora se pode isso?! Quando é que alguém devidamente habitado pelo Espírito Santo vai precisar retornar às práticas judaicas, depender de mandingas ou viver com medo de organizações secretas?!?

ENQUANTO ANA MÉNDEZ-FERRELL SE EXALTA E APONTA O CATOLICISMO,
REBECCA BROWN SE VITIMIZA E QUER VOLTAR AO JUDAÍSMO
Na verdade, os tão temidos “satanistas” não apenas se infiltraram, mas praticamente já dominaram todas as denominações e empresas eclesiásticas, criando uma geração de pretensos cristãos que, por seu analfabetismo funcional, é totalmente incapaz de compreender o que está claramente escrito na Palavra, se contenta em viver sob a escravidão de líderes que promovem coisas tão estúpidas como a tal “cobertura espiritual”…
Enfim, essa rotina de responsabilidades paranoicas é tão opressora que pode até causar doenças como ansiedade e depressão: infelizmente até mesmo o filho de um desses “guerreiros espirituais proféticos” não resistiu a tanta loucura e acabou perecendo.
Sincera e pessoalmente, é certo que houve lucro financeiro, mas tamanha desgraça deveria ter sido suficiente para promover o legítimo arrependimento na vida do autor e até mesmo a retirada dos livros que promovem tanto engano espiritual do mercado.
Lamento muito pela vida perdida, mas (também e por outro lado) até já me foi dito que o autor na realidade nunca deixou de ser satanista, que esse funesto episódio foi um sacrifício e que as obras vão continuar no mercado para enganar, oprimir e ceifar ainda mais vidas…
Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus.
(2 João 1:9-11)
Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.
Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina,
não o recebais em casa,
nem tampouco o saudeis.
Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.
Se houve um tempo em que me iludi ao ponto de viajar vários quilômetros para poder ver pessoalmente esse bando de “guerreiros espirituais proféticos” falando, hoje afirmo, com base bíblica, que não gostaria de vê-los sequer passando em frente ao portão de minha casa!