Óleo de Unção

Tirando O Poder Do Sacrifício de Jesus Cristo

Este estudo sobre o óleo de unção foi originalmente publicado em 17 de setembro de 2005. Escrevi estas linhas dias após uma gastroplastia de abdômen aberto, em um momento de fragilidade física extrema. Foi nesse estado de invalidez temporária que minha preocupação com os inválidos permanentes e a manipulação da fé se intensificou.
Ao pesquisar as Escrituras, deparei-me com revelações sobre o costume moderno de usar o óleo de unção para tudo: de curas a exorcismos.

Será que nós, cristãos contemporâneos, não estaríamos criando uma espécie de “água benta evangélica”?
Estaríamos depositando nossa fé em um objeto, em vez de concentrá-la n’Aquele que opera milagres exclusivamente através de Sua graça?

Antes de prosseguir, é fundamental consultar o estudo feito por Walter Andrade Campelo com devida propriedade e base bíblica.

A Unção de Santificação sob a Lei

Após ter lido muitos livros da chamada “batalha espiritual”, estava até começando a crer no óleo, principalmente diante de textos como Êxodo 30:22–33 e Êxodo 40:1–16, nos quais podemos ver o estabelecimento do tabernáculo e o azeite da santa unção destinado a santificar objetos e sacerdotes.

Assim santificarás estas coisas,
para que sejam santíssimas;
tudo o que tocar nela será santo.
Também ungirás a Arão e seus filhos, e os santificará para me administrarem o sacerdócio.
(Êxodo 30:29–30)
Então tomarás o azeite da unção e ungirás o tabernáculo, e tudo o que há nele;
e o santificarás com todos os seus pertences, e será santo.
Ungirás também o altar do holocausto, e todos os seus utensílios;
e santificará o altar; e o altar será santíssimo.
Então ungirás a pia e a sua base, e a santificarás.
Farás chegar também a Arão e a seus filhos à porta da tenda da congregação;
e os lavarás com água.
E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio.
Também fará chegar a seus filhos e lhes vestirás as túnicas, e os ungirás como ungiste a seu pai,
para que me administrem o sacerdócio,
e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.
(Êxodo 40:9–15)

Essa metodologia estava correta… DE ACORDO COM A LEI!
O GRANDE PROBLEMA é que NÃO PODEMOS IGNORAR A CRONOLOGIA BÍBLICA, pois, caso ajamos assim, estaremos colocando os rituais de santificação por objetos em conflito direto com a Nova Aliança!

Hebreus 10: O Fim das Sombras e a Suficiência de Cristo

Porque tendo a lei sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas,
nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano,
pode aperfeiçoar os que a ele se chegam.
Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer,
porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado.
Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados,
porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.
Por isso, entrando no mundo, diz:
Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste;
Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram.
Então disse:
Eis aqui venho (no princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade.
Como acima diz:
Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram
(os quais se oferecem segundo a lei).
Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade.
TIRA O PRIMEIRO PARA ESTABELECER O SEGUNDO.
Na qual vontade temos sido SANTIFICADOS PELA OBLAÇÃO DO CORPO DE JESUS CRISTO,
FEITA UMA VEZ.
E assim todo o sacerdote aparece cada dia,
ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados;
Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados,
está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés.
PORQUE, COM UMA SÓ OBLAÇÃO APERFEIÇOOU PARA SEMPRE OS QUE SÃO SANTIFICADOS.
E também o Espírito Santo no-lo testifica; porque depois de haver dito:
Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor:
Porei as minhas leis em seus corações e as escreverei em seus entendimentos;
acrescenta:
E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.
Ora, onde há remissão destes, já não mais oblação pelo pecado.
Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa.
Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança;
porque fiel é o que prometeu.
(Hebreus 10:1–23)

O texto acima é o divisor de águas!
Ele nos ensina que a Lei era apenas a sombra dos bens futuros, não a imagem exata das coisas: se o óleo de unção pudesse santificar de forma definitiva, o sacrifício de Cristo seria, simplesmente, desnecessário!

De acordo com as Escrituras, podemos concluir que:

  • O sacrifício de Jesus Cristo na cruz foi feito apenas UMA ÚNICA VEZ e é plenamente eficaz.
  • Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote que nos santifica, aperfeiçoando dessa forma as leis que deveriam ser cumpridas no Antigo Testamento.

Depender de um óleo de unção para santificar algo hoje é negar a eficácia da obra consumada de Cristo.
Quem nos santifica é o Senhor, e isso está ligado ao “legado” do Espírito Santo, vejam:

E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou dizendo:
Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.
Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.
E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem;
PORQUE O ESPÍRITO SANTO AINDA NÃO FORA DADO, por ainda Jesus não ter sido glorificado.
(João 7:37–39)

O Espírito Santo: Habitação x Unção Temporária

Representação dos Heróis da Fé do Antigo Testamento que, embora escolhidos, não possuíam a habitação perene do Espírito Santo.
Os heróis da fé viveram sob a promessa; nós vivemos sob o penhor do Verdadeiro Espírito Santo.

Em João 7:37–39, Jesus deixa claro que o Espírito Santo ainda não fora dado, pois Ele ainda não havia sido glorificado… e isso simplesmente MUDA TUDO!
Nem mesmo Moisés, que conheceu ao Senhor Face a Face (Êxodo 33:11; Números 12:7–8; Deuteronômio 34:10) teve uma experiência de habitação perene conforme a descrita em Romanos 8:26–27!

Tal descoberta me permite especular que essa seja a melhor explicação para a utilização de sangue nos umbrais (em Êxodo 12), pois tal sinal se fez necessário para o reconhecimento de quem iria ser salvo ou não… afinal, NINGUÉM ALI TINHA O ESPÍRITO SANTO!

No Antigo Testamento, a experiência com o Espírito era momentânea ou ligada a uma tarefa específica, muitas vezes mediada pela unção com óleo. Veja alguns dentre muitos exemplos:

  • Bezalel (escolhido por Deus) — Êxodo 31:2–3; Êxodo 35:31.
  • Eldade e Medade (momento) — Números 11:26. O fato da maioria do povo não ter o Espírito de Deus é confirmado em Números 11:29.
  • Josué (ungido por imposição de mãos) — Deuteronômio 34:9.
  • Otniel (momento) — Juízes 3:9–11.
  • Sansão (vários momentos) — Juízes 13:25; Juízes 14:6; Juízes 14:19 e Juízes 15:14.
  • Saul (ungido) — I Samuel 10:1–7; I Samuel 11:6.Esse, mesmo ungido, fez tanta besteira que o Espírito do Senhor acabou se retirando dele (I Samuel 16:14).
  • Davi (ungido) — I Samuel 16:13; II Samuel 2:4.

Eu poderia fazer uma lista ainda mais extensa que esta, com mais personagens do Antigo Testamento que puderam ter uma “provinha” da presença do Espírito do Senhor, mas sugiro que leiam o estudo de Walter Andrade Campelo para compreender quem exatamente eram as pessoas ungidas naquela época, assim como as funções do óleo.

É importante notarmos que, até nestes exemplos, o mesmo Espírito era gerador de capacidades bastante diversas entre si: se esses homens, apenas ao “esbarrar” com o Espírito, fizeram acontecer eventos incríveis, imagine agora o que podem fazer aqueles em quem o Espírito habita?

Sim! Não tenha receio nem se engane:
HABITAR É ALGO PERENE… é conviver a cada instante com Ele!
Essa informação é confirmada através dos textos de João 14:15–17 e 26 (“… habita convosco, e estará em vós”); I Coríntios 3:16; Efésios 2:22 e II Timóteo 1:14.

Creio que a maior parte dos leitores que chegou até aqui sabe muito bem o que deve fazer para receber o Espírito Santo, mas não custa nada citar João 20:22; Atos 1:8; Atos 2:38; Atos 8:15–17; I Coríntios 6:19; Gálatas 3:14… afinal, estes são métodos comprovados para “ganhar” este “presente” deixado para nós pelo próprio Jesus Cristo.

Há muita gente por aí pensando estar cheia do Espírito Santo e, na verdade, estão apenas agindo exatamente contra o texto de Colossenses 2:8; esquecendo Romanos 8:4–11; I Tessalonicenses 4:2–8; I Timóteo 4:1–2 e Tiago 4:4–5; esperando e aceitando tudo o que está descrito em II Tessalonicenses 2:3–12…
Esses, sequer se preocupam em aplicar I João 4:1–3 nem tentam observar o tipo de resultados da ação desse espírito dentro do previsto em Gálatas 5:19–23 e, certamente, não devem se agradar dos artigos que tenho apresentado.

O Alerta contra os Mercadores da Fé

Infelizmente, vemos líderes agindo exatamente conforme a previsão de I Timóteo 6:3–5; II Timóteo 4:3–4 e cumprindo as profecias de Isaías 56:8–12 e Ezequiel 34:1–10: mercadores da fé, que usam objetos “bentos” — flores, lenços, água e o onipresente óleo de unção — para atrair multidões e lucros. Eles se esquecem que a única unção que o Novo Testamento valida como transformadora é a que vem diretamente de Deus para o coração do homem.

Mãos segurando um frasco de óleo de unção diante de um umbral de porta antigo, simbolizando a rejeição da suficiência de Cristo em favor de rituais.
Substituir a eficácia da oração e do sacrifício de Jesus por rituais com óleo é um retrocesso espiritual perigoso.

A conclusão desta seção é clara: o Espírito Santo é a unção do cristão.
Recomendo também cautela extrema com a imposição de mãos (I Timóteo 5:22), NUNCA PERMITINDO que qualquer pessoa coloque as mãos sobre sua cabeça, especialmente aquelas que transformaram a fé em um balcão de negócios místicos.

Espírito x Matéria: A Semântica da Unção no Novo Testamento

No Novo Testamento, a palavra “unção” aparece substantivada apenas em I João 2:20 e I João 2:27, e em ambos os casos, ela procede diretamente de Deus, sem intermediários físicos.

Quando observamos o uso do verbo “ungir”, é preciso separar o que é puramente estético ou cosmético.

  • A ação de Maria, ao ungir os pés de Jesus Cristo em Marcos 14:8, foi uma preparação fúnebre, com finalidade MERAMENTE COSMÉTICA E AROMÁTICA.
  • Já a instrução de Jesus, em Mateus 6:17–18, visa a discrição do servo: ungir a cabeça para que o jejum não seja ostentado aos homens.
    Mateus 6 versa bastante sobre a discrição de um verdadeiro servo ao fazer a obra, tanto que inclui instrução sobre como devemos dar com a mão direita de forma que a esquerda não saiba (Mateus 6:3): no jejum não devemos aparentar o possível e real cansaço relativo à atividade, mas ungir a cabeça para que não pareça aos homens que se está jejuando (Mateus 6:17–18)!

Ambas as passagens extinguem a imagem “heroica” que muitos buscam hoje ao “vender” santidade.

A Verdadeira Unção e as Exceções Materiais

Indo até Lucas 4:18; Atos 4:26–27; Atos 10:38; II Coríntios 1:21–22 e Hebreus 1:9, claramente vemos que a unção novamente veio diretamente de Deus: nenhum homem unge nada e muito menos há referências a algum tipo de óleo real… ou será que eles fabricavam “óleo de alegria” naquela época e a receita se perdeu com o tempo?

Ora, fica claro que a unção a qual os versos acima estão se referindo é a ação do Espírito Santo!
Ação esta que, tal qual no Antigo Testamento, causa resultados distintos (conforme podemos verificar em I Coríntios 12:4–12).

O Óleo como Ordenança ou Prática Contextual?

Restam apenas dois textos que mencionam o óleo de unção material: Marcos 6:12–13 e Tiago 5:14–15. É uma base ínfima para se estabelecer uma doutrina imutável, especialmente quando ignoramos o contexto medicinal da época. Fará bem a leitura dos textos antes de sua análise:

E, saindo eles, pregavam que se arrependessem.
E expulsavam demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.
(Marcos 6:12–13)
Está alguém entre vós doente?
Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor.
E a oração de fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.
(Tiago 5:14–15)

A estes dois textos eu gostaria de acrescentar mais quatro outros:

Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.
E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado).
Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.
(João 9:6–7)
E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos.
E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão.
Dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima.
E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais.
De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles.
E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos; os quais eram todos curados.
(Atos 5:12–16)
E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.
De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saiam.
(Atos 19:11–12)
Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.
(I Pedro 4:10)

Ao contrário do batismo e da ceia…

Óleo Não Foi Deixado Como Ordenança!

Logo, não se deve tratá-lo como tal!
No livro de Marcos temos uma sequência de ações independentes entre si: pregar, expulsar demônios, ungir enfermos com óleo e curar!
Isso nos leva em uma primeira análise a descartar a expulsão de demônios com o auxílio do óleo… senão eles teriam necessariamente de pregar com óleo, o que não faria o menor sentido!
Logo:

Óleo Não Expulsa Demônio Em Nenhum Lugar da Bíblia!

Continuando, nos resta o trecho final, onde “ungiam os enfermos” e “os curavam”, passagem chave do livro de Tiago, onde não podemos ignorar o que está sendo afirmado para não deixar dúvidas: A ORAÇÃO DE FÉ SALVARÁ O DOENTE!

O Contexto Medicinal: Do Vinho de Paulo à Pasta de Figos

Isso nos pede uma reflexão acerca das aplicações que eram dadas ao óleo naquela época, sabendo que tal líquido era amplamente utilizado com vários objetivos.

Atualmente temos as farmácias de manipulação, mas todo o produto químico ativo (remédio) precisa de um “meio” neutro. O nível de desenvolvimento científico atual disponibiliza diversas substâncias neutras: creme, gel, água… os princípios ativos são infundidos nesses materiais.

É notável como a maioria dos medicamentos se aperfeiçoou: não há mais necessidade de se fazer a pasta de figos (Isaías 38:21)… muito menos se toma vinho para problemas estomacais, conforme recomendou Paulo em I Timóteo 5:23!
Quem seria louco de passar óleo e vinho em uma ferida, conforme descrito em Isaías 1:6 ou Lucas 10:34?
E olha que Lucas era médico…

O ser humano, ao longo da história, aprendeu a extrair e separar as substâncias químicas essenciais de cada produto, expurgando a parte desnecessária e dando uso apenas aos chamados “princípios ativos”, produzindo medicamentos mais eficazes e direcionados especificamente ao mal que se está combatendo.

A Soberania de Deus na Cura e no Sofrimento

Voltemos agora à partícula restante — Marcos 6:13 — e vejamos cada um dos termos separadamente:

Primeiro a partícula “os curavam”: será que Deus alguma vez já dependeu de algum método específico para curar alguém?
Será que o criador dos céus e da terra precisa que sinalizemos com óleo para só então ele agir?
Creio firmemente que não… e cito os outros exemplos acima para provar que a graça soberana de Deus age através dos meios mais insuspeitos e improváveis!
Vejam só: cuspe com terra curando cegueira? Sombra e panos curando e expulsando demônios?!

Notem que os objetos acima citados nunca sequer foram, digamos assim, “preparados” espiritualmente: não imagino Pedro esticando as mãos em direção a sua sombra e orando para que ela curasse àqueles por sobre quem passasse, muito menos Paulo benzendo seus objetos de uso pessoal!
Só mesmo a maravilhosa graça de Deus para realizar tais impossíveis!
Jesus então? Agiu num ato contínuo: abaixou, fez a laminha, passou no olho do cego e… pronto!!!
Afinal Ele é Deus e, exceto algumas restrições que Ele mesmo se impôs…

DEUS FAZ O QUE QUISER, NA HORA QUE QUISER E DO MODO QUE QUISER!!!

Isto posto, voltemos nossa atenção para os “cultuadores do óleo”, gente que o vê como objeto sagrado e capaz de, por si só, operar milagres e expulsar demônios…
Quantas pessoas já não foram “ungidas” sem nunca obter resultado algum?
A covardia é que, depois, ou a culpa da falha recai sobre a “falta de fé” da pessoa doente ou, pior ainda, a pessoa descobre que foi enganada e perde a fé em Deus por culpa desses supersticiosos cultuadores de amuletos…

Creio que as curas, tanto a citada em Marcos 6:13 quanto a de Tiago 5:14, são completamente independentes da unção com óleo, mas fruto direto da ação divina!
O óleo seria meramente a parte medicamentosa a ser cumprida.

Até hoje podemos encontrar pessoas que ingerem os medicamentos comprovadamente corretos para suas doenças e ainda assim não são curadas: tenho meu próprio testemunho de que medicamentos regulamentados e receitados me causaram surdez!!
Logo, podemos concluir disso tudo que:

  • MUITAS VEZES O REMÉDIO CORRETO NÃO CURA.
  • MUITAS VEZES A ORAÇÃO NÃO CURA.

E essas são ocorrências perfeitamente compatíveis com o que Paulo escreveu em II Coríntios 12:7–10, pois ninguém sabe as intenções e motivos de Deus, assim como nenhum homem é apto para julgá-lO!
Nem sempre o que nos parece ruim está fora da vontade de Deus, haja vista os exemplos de Jó!
Devemos aprender com Romanos 8:28 e não estou dizendo que isso é fácil… mas é o que nos diz a verdadeira e única palavra de Deus.

O Poder de Deus não é uma Fórmula Mágica

Finalmente podemos afirmar que:

O óleo pode ser usado para curar tanto quanto foram cuspe, lodo, farrapos de pano, uma sombra… ou nada disso! O Senhor usa o que quiser, no momento que Lhe for adequado e da forma que Lhe convier: o poder de Deus não pode ser manipulado ou ativado através das tantos modelos de feitiçaria ou “fórmula mágica” apresentados — geralmente mediante pagamento — por muitas das empresas eclesiásticas contemporâneas!!
Teóphilo Noturno
X

Deus não costuma ficar se repetindo:

  • Não fez a vara de Moisés virar cobra duas vezes,
  • Não abriu o Mar Vermelho duas vezes,
  • Não derrubou as muralhas de Jericó duas vezes…

Ele pode fazer tudo isso de novo a hora que quiser, mas não faz justamente para que o homem não creia que há um método específico além da fé e do conhecimento da palavra… principalmente quando o assunto é a multiforme graça de Deus.
Cabe a nós estarmos sensíveis ao mover do Espírito Santo.

Cuidado com os Sinais e Prodígios do Fim dos Tempos

Meu derradeiro apelo é para que permaneçam atentos as profecias sobre os últimos tempos descritas em Mateus 24:23–24; II Tessalonicenses 2:9–10; II Coríntios 11:14–15 e Apocalipse 13:3–4, 12–14.

Essas passagens mostram claramente que quem vai ficar fazendo sinais e prodígios no final dos tempos não são exatamente os servos do Senhor…
Cuidado com os grandes milagres modernos!!!
Ou você acha que ainda não estamos vivendo os últimos dias?

Tenha muito cuidado com a “Literatura Cristã”

Minha busca pela santificação começou de uma forma bastante ordinária: eu li os livros da área de “batalha espiritual” no início de 2004.
Não nego que tais obras me levaram a considerar mais seriamente o mundo espiritual, mas Deus usou esse embalo para me conduzir a um nível muito mais profundo de estudo da própria Bíblia.

Através disso eu tenho aprendido a verdade de Deus, que é muito mais chocante que qualquer obra cujo PRINCIPAL OBJETIVO é lucrar através dos alarmes sobre as ações satânicas em nossos dias.
Além de conferir “super poderes” aos demônios, esses autores também ensinam doutrinas absolutamente contrárias ao texto bíblico!
Vejamos, por exemplo, o que Rebecca Brown nos recomenda sob o título de:

Rebecca Brown – “Prepare-se Para A Guerra”, pág. 68 (Ed. Danprewan)

Quem santifica as coisas é somente Jesus Cristo através de sua unção: o verdadeiro Espírito Santo, que habita nos que verdadeiramente creem… jamais esse fajuto, que induziu Rebecca a restabelecer práticas veterotestamentárias abolidas.
Essa doutrina serve apenas para escravizar pessoas sob um costume da Velha Lei… e criar transtornos obsessivos!
É realmente difícil reconhecer e se libertar de opressiva influência rejudaizante moderna: eu mesmo, após ter lido esse trecho, permaneci crendo nessa patacoada até pouco antes da operação, em 2005!

Ao revisar estas palavras, hoje, vejo que essa autora nunca confiou no sacrifício de Cristo na cruz e no poder que herdamos d’Ele ao aceitá-lo como Senhor e Salvador de nossas vidas.
Analisando suas atitudes, fica evidente sua ignorância acerca de Hebreus 10:1–23: nada de símbolos, nada de amuletos… apenas a santificação obtida por Cristo!

Tanto esta autora quanto os muitos outros que copiam descaradamente seu estilo, se utilizam de muitos “rituais” que, na verdade, acabam sendo equivalentes a algumas ações ocultistas!
Um cristão genuíno deve rejeitar o emocionalismo manipulador e submeter todas as lições aprendidas nesses livros a uma reavaliação total.

Daniel Mastral e a Piada do “Isolante Espiritual”

Daniel Mastral , outro autor que me fascinou e ao qual cheguei a fazer breve referência positiva, também incentiva o uso do óleo de unção.
Ele afirma em seus livros que satanistas temem o óleo (se feito exatamente conforme Deuteronômio 30:22–25) por ser uma espécie de “isolante” para o poder que flui através de seus “portais”…

Hoje reconheço que essa tese parece uma “piada” armada pelos satanistas para que ele acreditasse e divulgasse nos meios evangélicos: eles devem gargalhar vendo os crentes passando “óleo de unção” em tudo.
Na verdade, há tempos que passei a desconfiar que Mastral, após ter ganho muito dinheiro com seus livros, continuou a rir junto com eles.

Jesus Cristo, além de Ceia e Batismo, não ordenou nada além da fé, do louvor e do estudo das Escrituras!
A Bíblia não incentiva amuletos, pois eles desviam a fé de seu único objeto: Deus.

O Espetáculo do Absurdo: Helicópteros e Aviões de Unção

Não faltam histórias absurdas no meio evangélico:

  • Gente que alugou um helicóptero para ungir sua cidade;
  • Outros alugaram um avião para ungir o país inteiro;
  • Outros ainda que foram ungir o sambódromo (para que naquele local houvesse uma transformação e se tornasse um local de adoração ao Senhor) em 2005: já estamos em 2026 e até agora NADA mudou… aliás, piorou!!

Quem cometia (e ainda comete) esse tipo de estupidez não é qualquer “irmãozinho” não: são bispos, “apóstolos” e “apóstolas”: se a própria Bíblia está dizendo que em hipótese alguma deixará de se cumprir, como podem essas autoridades e pessoas famosas agir em total discordância com a palavra de Deus?
Como podem tantos líderes agindo em total discordância com a Palavra, visando fama e lucros através de fábulas profanas?

Outro Evangelho e o Alerta de Paulo

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.
Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos venho anunciado, seja anátema.
Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo.
Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebeste, seja anátema.
(Gálatas 1:6–9)

Amados, o objetivo desse estudo é a edificação, não a destruição, daqueles que buscam a verdade através da única e perfeita palavra de Deus.
O poder de Deus não pode ser manipulado por “fórmulas mágicas” vendidas por empresas eclesiásticas.

Obrigado por ter lido até aqui e, verdadeiramente, preciso de qualquer colaboração que puder me oferecer: comentários, compartilhamentos e reações ajudam a divulgar este conteúdo que foi produzido com intenção de colaborar para a edificação do Corpo de Cristo no mundo.
Um link encurtado e de fácil memorização para essa postagem é:

Ilustração satírica de demônios celebrando com garrafas de óleo de unção em uma piscina de azeite.
Enquanto muitos buscam poder no frasco, o engano ritualístico se torna banquete para o adversário.

Houve um tempo em que eu tive paciência e disposição para tentar falar sobre tudo isso que está escrito acima e deixo com vocês um vídeo sobre o tema, para quem tiver a curiosidade de saber como eu era.

Assinatura oficial de Geovane Souza, autor e apologista sob o pseudônimo Teóphilo Noturno, fundador do projeto O Pior Evangelho.
Inabalável na Fé, Implacável na Crítica

Falando sério: nos chamamos “O Pior Evangelho” simplesmente por não ficarmos falando ou prometendo coisas que Deus não prometeu e, por isso, QUASE NINGUÉM GOSTA DOS NOSSOS ARTIGOS!

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