Um dos textos que explica claramente a situação do ser humano diante de Deus e, que, infelizmente, também recebe as piores interpretações, sendo usado por quem gosta de exigir além dos limites dos outros — chefes exploradores, professores abusivamente rigorosos, e mesmo autoridades civis que creem que o povo é que deve servir ao Estado, e não o oposto.
Tais pessoas leem e citam apenas a última parte da passagem relativa aos chamados “servos inúteis”:
Qual de vós, tendo um escravo arando a terra ou apascentado as ovelhas, assim que ele chegar do campo, o convidará:
(Lucas 17:7-10 – KJA)
‘Podes vir agora mesmo, reclina-te junto à mesa para cear’?
Ao contrário. Conforme o costume direis a ele:
‘Prepara o meu jantar, apronta-te devidamente e então vem e serve-me enquanto como e bebo; depois tu, comerás e beberás também’.
Porventura, deverá agradecer ao escravo porque este fez o que lhe havia mandado?
Assim igualmente vós, depois de haverdes realizado tudo quanto vos foi ordenado, dizei:
‘Somos servos inúteis, pois tão somente cumprimos o nosso dever!’.
Diante desse último versículo, alegam que Jesus afirmou que “quem só faz o que é obrigado, é um servo inútil, portanto, você tem de fazer mais do que é obrigatório em sua função”.
No entanto, o sentido do texto, ao ser analisado todo o contexto — sem se isolar um versículo — mostra-se totalmente diferente, tanto que Jesus fala sobre um senhor que simplesmente ocupa seu lugar de direito, sendo ele a prioridade e sendo, por isso mesmo, o primeiro a sentar-se à mesa, para só depois então permitir que os servos façam sua refeição.
E o fato de os servos terem cumprido sua obrigação, como diz Jesus, não é algo que ele tenha de agradecer, pois é algo inerente à sua função.
O sentido do texto remete à situação do ser humano diante de Deus: criado para ser servo de seu Criador, ele tem a atribuição de glorificar a Deus e não a si mesmo, pois sem o Criador, ele nada é, como o próprio patriarca Abraão reconheceu ser apenas pó e cinza diante do Senhor.
Argumentou Abraão:
(Gênesis 18:27 – KJA)
“Eu me atrevo a falar ao meu Senhor, eu que sou poeira e cinza”.
Em suma, o que é dito neste texto é que: mesmo que o ser humano vivesse sua existência 100% para glorificar a Deus, sem jamais falhar nem nunca ter um só momento de egoísmo ou egocentrismo e nunca colocar suas prioridades e vontades acima das do Criador… ainda assim ele nada teria feito além daquilo para o que foi criado.
Infelizmente, a verdade é que nem mesmo a obrigação que tem sobre si o ser humano é capaz de realizar: nem o cristão mais fervoroso, abnegado, sincero e dedicado consegue alcançar a perfeição que o padrão que a lei divina exige!
Tiago afirma:
Porquanto, quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas uma das suas ordenanças, torna-se culpado de quebrá-la integralmente.
(Tiago 2:10 – KJA)
O que chama a atenção neste versículo é a palavra “tropeçar”, significando que não é necessário cair, ou seja, cometer um pecado deliberado: mesmo que um pecado seja cometido na ignorância — porque a pessoa nem sabia que era pecado — isso já a torna culpada de toda a Lei de Deus.
Não é difícil entender o porquê disso.
Usando um exemplo prático: se uma pessoa passa por uma sala em que outra esqueceu a carteira por 49 vezes sem tocá-la, mas na 50ª vez ela pega o dinheiro que está lá dentro, isso anula totalmente os seus 49 atos de honestidade anteriores e essa pessoa não é 49 vezes melhor do que um ladrão, porque basta um roubo para que ela o seja.
É o mesmo caso de, por exemplo, abrir-se um buraco em uma cerca.
De nada adianta todo o restante dela estar inteiro, porque, com apenas um rombo, ela já não oferece mais nenhuma segurança a quem está do lado de dentro.
Portanto, nem mesmo a obrigação — devido à natureza decaída em pecado — o ser humano é capaz de cumprir.
O ser humano é ainda pior diante da Lei de Deus, portanto do que o “servo inútil” ao qual se refere a parábola, pois nem mesmo o que é de seu dever ele faz.
É exatamente por causa dessa total incapacidade do ser humano em alcançar a perfeição da Lei por seu esforço pessoal que Jesus foi enviado como o substituto de toda a humanidade no cumprimento da Lei divina e Ele próprio o afirma, dizendo que não viera para revogar a Lei, mas para cumpri-la (veja Mateu 5:17-18).
Ele fez o que nenhum ser humano decaído em pecado poderia fazer: cumprir a Lei divina com perfeição.
E, como profetizou Isaías 700 anos antes da crucificação, a justiça da Lei de Deus tinha de ser totalmente satisfeita:
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si;
(Isaías 53:4-6 – ACF)
e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho;
mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
Cristo, tomando para si o que Ele não merecia (o castigo dos pecados), fez por nós o que não podemos (cumprir a Lei) e conquistou para nós o que não merecemos (a graça divina).
Desse modo, de servos ainda inferiores aos inúteis da breve parábola, Jesus nos tornou filhos de Deus, sendo ele próprio o primogênito entre muitos irmãos (vide Romanos 8:29).
Não há qualquer mérito de nossa parte, pois nem mesmo nossa obrigação nós cumprimos…
Na eternidade, no entanto, adoraremos a Deus com perfeição, reinando junto com Cristo por toda a eternidade… e tudo por mérito d’Ele, não nosso.
Bendito seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma das obrigações dos cristãos seria meditar nas escrituras o tempo inteiro, porém vivemos em um tempo no qual as pessoas parecem incapazes de acompanhar sequer o desenvolvimento de um raciocínio, quanto mais crer no porvir!
Tais personalidades rasas que apenas se satisfazem com soluções imediatas, são apenas mais um indício de que os tempos finais estão se configurando vez mais rapidamente e, antes que o Senhor volte como um ladrão na noite, é necessário que o profetizado reinado do anticristo se consolide não apenas no Brasil, mas por todo o mundo!
Na fase 2023 d’O Pior evangelho decidi lançar mão de novos formatos na expectativa auxiliar a aumentar o alcance dos conteúdos relacionados às Escrituras — stories, vídeos, textos mais curtos, autores convidados… — e essa publicação, onde tomei a liberdade de realizar revisão e ilustração, é parte desse projeto.
Obrigado por ter lido até aqui.
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