Teóphilo, O Fracassado

E Sem Grandes Expectativas A Meu Próprio Respeito…

Tempo Estimado de Leitura: 3 min

Gostaria de dizer que meu nome é Teóphilo Noturno…
Mas se minha intenção é ser completamente sincero nessa apresentação, talvez eu deva começar assumindo que, sob uma perspectiva evangélica moderna, não passo do mais completo e retumbante fracasso!
Para essa gente que se sente compelida a seguir apenas os “grandes ganhadores de almas”, já começo admitindo que nunca, em oportunidade alguma, fui capaz de ganhar uma alma sequer… nenhuma!

Atordoante isso, não?
Mas talvez seja melhor oferecer uma explicação e nada melhor que, para isso, citar as palavras do próprio Senhor Jesus Cristo?

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.
E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.
Do pecado, porque não creem em mim;
Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;
E do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

(João 16:7-11)

Ora, o que é “ganhar almas” se não justamente convencê-las do pecado, da justiça e do juízo?
Sabendo que o “Consolador” é uma referência direta ao Espírito Santo, como ousa você querer confrontar as palavras do Senhor e alegar que algum homem foi capaz de executar uma tarefa própria e exclusiva daquele que nos foi dado apenas após a subida d’Ele?
Mesmo o apóstolo Paulo, o único autor bíblico a relacionar o termo “ganhar” a diversos tipos de pessoas, faz questão de esclarecer seu papel:

Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação;
e ai de mim, se não anunciar o evangelho!
E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio;

mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada.

(1 Coríntios 9:16-17)

Então, se muitos conseguem ver no prosseguimento desse texto alguma possibilidade de Paulo estar “ganhando almas”, talvez devessem experimentar substituir esse termo por “ganhar a atenção” ou até “ganhar a confiança” a cada um dos exemplos enumerados, isto porque Paulo diz, sim, ter ganho a oportunidade de pregar o evangelho para servos, judeus, fracos… mas em momento algum sugere que todos aqueles a quem pregou se converteram: além disso ser um trabalho exclusivo do Espírito Santo, só será eficaz naqueles a quem o Senhor marcou para tal.

Logo, qualquer criatura que ouse ostentar o título de “ganhador de almas” não passa de alguém consumido pela vaidade ou idolatrado por aqueles que o identificam dessa forma.

Não seja duro dessa forma! — poderão dizer alguns — O modo com que alguns foram capacitados a pregar ou a escrever os torna, sim, ganhadores de almas, pois conseguem fazer que os pecadores enxerguem a mensagem de uma maneira mais agradável, mais fácil de compreender…
Novamente, caro leitor, este é um raciocínio enganoso e na Bíblia encontra-se registrada a única formula autêntica para se alcançar a verdadeira fé:

De sorte que a fé é pelo ouvir,
e o ouvir pela palavra de Deus.

(Romanos 10:17)

Só para fechar esse círculo inicial de raciocínio, devemos lembrar novamente do que Paulo disse: AI DE MIM SE NÃO ANUNCIAR O EVANGELHO!
Ele era o derradeiro apóstolo — e esse papel foi extinto na atual configuração do legítimo Corpo de Cristo — e nos deixou essa pétrea correlação direta entre o evangelho e a palavra de Deus!
Sabendo que nem Armínio nem Calvino foram citados na Palavra e que a cada vez que me arrisco a anunciar o evangelho — o faço tão cheio de temor e buscando prover tão farto “recheio” de puras e cronologicamente corretas referências bíblicas — chego a ser considerado “chato” por minha didática, constatei as seguintes lições:

  1. Quando repleto de entusiasmo e imbuído de uma intenção basicamente arminiana (convencer quem tiver livre arbítrio) preparo uma mensagem “matadora” e ao final percebo que nem todos os presentes foram convencidos, vejo que o calvinismo e seu argumento de que alguns estão predestinados à condenação são totalmente plausíveis.
  2. Quando sem disposição nem tempo e acossado por ser o único com algum conhecimento verdadeiramente bíblico para tentar elucidar uma questão na qual sequer pretendia me envolver e ao final percebo que ainda assim foi despertado um genuíno interesse pelos rudimentos do evangelho, novamente levo um solavanco por ter tentado escapar de ligar um potencial predestinado à salvação à verdade…
  3. E, por fim, quando ainda tinha a coragem de passar por empresas eclesiásticas e muitas vezes perder tempo escutando discursos vazios da Palavra — mas repletos de psicologia, autoajuda, promessas vazias, alegres dancinhas inócuas, vãs repetições, neurolinguística, e manipulação emocional (entre outras tantas e inimagináveis aberrações possíveis) —e capazes de fazer o público pular de suas cadeiras em busca de algo que qualquer um desejaria ter, mas que nunca foi, de fato, prometido por Deus… aí eu constatava que a porta larga está escancarada e é cada vez mais bem sucedida e popular.

Foram, basicamente, essas as observações que me permitiram concluir que eu, de fato, nunca cheguei nem perto de ganhar uma alma sequer para Jesus Cristo… isso sempre foi e sempre será obra exclusiva do Espírito Santo.

Porque já o mistério da injustiça opera;
somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado…

(2 Tessalonicenses 2:7

Mas nem só de fracasso foi construída minha carreira: também foi uma jornada repleta de erros e pretendo listar alguns assim que possível.
Não perca!

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