O Pior Evangelho Do Mundo

Coronam Vitæ

Ele este­ve ali, qui­e­to e cum­prin­do seu papel, por pelo menos uns 10 anos!
Na teo­ria a madei­ra deve­ria sub­sis­tir à car­ne, mas a foto não me dei­xa men­tir que, na prá­ti­ca, bas­tou se arma­ze­nar e remo­ver algu­mas latas, potes, gar­ra­fas e sacos, além da cla­ri­da­de do dia e de alguns even­tu­ais res­pin­gos d’água… para aqui­lo que um dia foi rígi­do e ínte­gro ficas­se des­gas­ta­do a pon­to de desmantelar!

Tudo bem que o MDF foi cri­a­do para, sen­do ape­nas uma imi­ta­ção da madei­ra, man­ter o ciclo comer­ci­al do capi­ta­lis­mo aque­ci­do, porém che­gar à con­clu­são de que aque­le armá­rio bran­qui­nho e espa­ço­so — cuja mon­ta­gem e ins­ta­la­ção ain­da cons­tam vívi­das na minha memó­ria — che­gou ao fim de seu ciclo de exis­tên­cia me levou a rea­li­zar refle­xões mais apro­fun­da­das sobre as tan­tas coi­sas que têm esta­do povo­an­do meus pen­sa­men­tos.
A pri­mei­ra con­clu­são de todas é que eu pró­prio, fei­to de car­ne mui­to mais frá­gil até que o aglo­me­ra­do de madei­ra, só não estou em um esta­do mui­to pior que o do armá­rio des­truí­do por­que o tem­po intei­ro e a cada dia… eu morro!

Sob uma pers­pec­ti­va micros­có­pi­ca, o indi­ví­duo que com­prou e colo­cou aque­le móvel na pare­de já nem exis­te mais, pois a mai­or par­te de sua estru­tu­ra celu­lar já foi reno­va­da, enquan­to a rigi­dez e imu­ta­bi­li­da­de aca­ba­ram cor­ro­en­do a madei­ra e oxi­dan­do seus metais até o esta­do ter­mi­nal mos­tra­do na ima­gem.
Dirão alguns que tudo isso é cien­ti­fi­ca­men­te óbvio, mas sou leva­do a ques­ti­o­nar os limi­tes des­se conhe­ci­men­to, pois se o segre­do da manu­ten­ção da vida esti­ves­se liga­do ape­nas à reno­va­ção celu­lar, dados os avan­ços tec­no­ló­gi­cos já deve­ría­mos ter con­quis­ta­do a imor­ta­li­da­de des­de umas três gera­ções atrás!
Porém con­ti­nu­a­mos mor­ren­do e, ao con­trá­rio de ser bené­fi­ca, a gran­de e desor­de­na­da mul­ti­pli­ca­ção celu­lar aca­ba se trans­for­man­do num cân­cer!

Curi­o­sa­men­te a “deu­sa” cha­ma­da ciên­cia até ago­ra não con­se­guiu apre­sen­tar solu­ção real nem para a mor­te nem para o cân­cer além de pali­a­ti­vos, enquan­to no âmbi­to da fic­ção — qua­dri­nhos e efei­tos espe­ci­ais de cine­ma — nos apre­sen­ta o defor­ma­do Dead­po­ol como “res­pos­ta” a ambos os problemas…

Em tem­pos de qua­ren­te­na por con­ta do coro­na vírus (e enquan­to não sus­pen­dem a inter­net) pode­mos tes­te­mu­nhar todo tipo de ansi­e­da­de e absur­do sen­do pro­pa­ga­do e, na fal­ta do que fazer, daqui para o res­to da pos­ta­gem vou abor­dar alguns dos temas mais comuns, mas adi­an­to que a mor­te vai con­ti­nu­ar sem solu­ção até que o pró­prio Cri­a­dor da vida, um dia, deci­da que é o tem­po de aca­bar com isso… e isso nos leva dire­to ao pró­xi­mo assunto!

ESPIRITUALIDADE

Uma ami­ga mui­to que­ri­da fez uma pos­ta­gem per­gun­tan­do sobre a fé de seus con­ta­tos: pen­sei mui­to antes de res­pon­der, pois a sim­ples decla­ra­ção da minha fé vai fazer com que me veja no mes­mo gru­po de indi­ví­du­os que andam, que­ren­do demons­trar que uma fé xucra e sem fun­da­men­tos sóli­dos vai dar-lhes recur­sos mági­cos para esca­par de qual­quer des­gra­ça, mes­mo que sejam eles pró­pri­os, atra­vés de suas ações apa­te­ta­das, os pro­mo­to­res e cau­sa­do­res do mal!
Escre­vi deta­lha­da­men­te sobre o tema a seguir na série Cro­no­lo­gia, em qua­tro par­tes, mas há outras con­clu­sões adqui­ri­das no decor­rer de mais de uma déca­da de estu­dos e deba­tes teo­ló­gi­cos que vou sin­te­ti­zar a seguir:

DEUS SEMPRE É SUPREMO,
NUNCA ANACRÔNICO!

A Bíblia está reple­ta de pas­sa­gens que as pes­so­as gos­tam de deco­rar e repe­tir como se fos­sem pro­mes­sas pétre­as, mas sequer se dão ao tra­ba­lho de ana­li­sar a ínte­gra do tex­to, o tem­po em que ocor­reu, o sujei­to ao qual foi dire­ci­o­na­do e, aci­ma de tudo, a razão do epi­só­dio. O uso de ter­mos chi­ques como “exe­gé­ti­ca” e “her­me­nêu­ti­ca” ape­nas ame­dron­ta e afas­ta os de men­te menos agu­ça­da, mas vou lis­tar aqui um par des­ses enga­nos que são, mui­tas vezes, pro­mo­vi­dos de púlpito.

E se o meu povo,
que se cha­ma pelo meu nome,
se humi­lhar, e orar, e bus­car a minha face
e se con­ver­ter dos seus maus cami­nhos,
então eu ouvi­rei dos céus,
e per­do­a­rei os seus peca­dos,
e sara­rei a sua terra.

(2 Crô­ni­cas 7:14)

Se o lei­tor se der ao tra­ba­lho de retor­nar até o iní­cio da pas­sa­gem e ver que essa pro­mes­sa é par­te de uma sequên­cia na qual SALOMÃO E O POVO DE ISRAEL, ambi­en­ta­dos num cli­ma desér­ti­co, rea­li­za­ram fes­ti­va­men­te sacri­fí­ci­os de fide­li­da­de duran­te sete dias, o pró­prio Senhor apa­re­ceu a Salo­mão e falou o que vou trans­cre­ver a seguir, no tex­to inte­gral, pedin­do tan­to per­dão pela exten­são quan­to que aten­tem ao que está sublinhado:

E o Senhor apa­re­ceu de noi­te a Salo­mão, e dis­se-lhe:
Ouvi a tua ora­ção, e esco­lhi para mim este lugar para casa de sacri­fí­cio.
Se eu fechar os céus, e não hou­ver chu­va;

ou se orde­nar aos gafa­nho­tos que con­su­mam a ter­ra;
ou se envi­ar a pes­te entre o meu povo;
E se o meu povo, que se cha­ma pelo meu nome, se humi­lhar, e orar, e bus­car a minha face e se con­ver­ter dos seus maus cami­nhos, então eu ouvi­rei dos céus, e per­do­a­rei os seus peca­dos, e sara­rei a sua ter­ra.
Ago­ra esta­rão aber­tos os meus olhos e aten­tos os meus ouvi­dos à ora­ção des­te lugar.
Por­que ago­ra esco­lhi e san­ti­fi­quei esta casa, para que o meu nome este­ja nela per­pe­tu­a­men­te;
e nela esta­rão fixos os meus olhos e o meu cora­ção todos os dias.

(2 Crô­ni­cas 7:12–16)

Há um tre­cho seguin­te, que vai até o ver­so 22, dire­ci­o­na­do exclu­si­va­men­te a Salo­mão e que não vou esmiu­çar aqui, mas já vou dei­xar o “spoi­ler” de que ele vaci­lou… e foi feio!!
Mas focan­do no tex­to pro­pos­to, essa pro­mes­sa de Deus tem dire­ci­o­na­men­to úni­co e exclu­si­vo à nação cha­ma­da Isra­el e ao seu povo e ao seu posi­ci­o­na­men­to geo­grá­fi­co e, aci­ma de tudo, ao com­por­ta­men­to com­pro­me­ti­do des­se gru­po extre­ma­men­te bem defi­ni­do de indi­ví­du­os em rela­ção ao Senhor!
Ah! — dirão alguns abo­ba­dos bene­vo­len­tes — Mas isso tam­bém vale pro Bra­sil, né?!
NÃO!
Me dei ao tra­ba­lho de, além de negri­tar e subli­nhar, colo­car em maiús­cu­las a pala­vra PERPETUAMENTE por­que ela sig­ni­fi­ca “para sem­pre”, ou seja, carac­te­ri­za uma con­di­ção imu­tá­vel sob a pena de, em caso de míni­ma vari­a­ção, tor­nar o pró­prio Deus em men­ti­ro­so: a pro­mes­sa não foi fei­ta para os Esta­dos Uni­dos nem para o Bra­sil… e mui­to menos para todo o pla­ne­ta: me per­doe a extre­ma sin­ce­ri­da­de, mas se você — seja por medo de enfren­tar a dura rea­li­da­de, seja por inse­gu­ran­ça de pre­gar a Ver­da­de achan­do que vai espan­tar algum incré­du­lo mais sen­sí­vel — pro­pa­ga uma “men­ti­ra bem inten­ci­o­na­da”, então não crê n’O ver­da­dei­ro Deus e é tão ou pior idó­la­tra que os que ser­vem a outros deuses.

E quan­to a nós, eu inclu­si­ve?
Ora, somos “ramos enxer­ta­dos na videi­ra” e isso só pôde ocor­rer atra­vés do sacri­fí­cio defi­ni­ti­vo do Senhor Jesus Cris­to. O pro­fe­ta Isaías fez um regis­tro bas­tan­te esclarecedor:

Assim diz o Senhor Deus, que con­gre­ga os dis­per­sos de Isra­el:
Ain­da ajun­ta­rei outros aos que já se lhe ajun­ta­ram.
Vós,
todos os ani­mais do cam­po, todos os ani­mais dos bos­ques,
vin­de comer.
Todos os seus ata­lai­as são cegos, nada sabem;
todos são cães mudos, não podem ladrar; andam ador­me­ci­dos, estão dei­ta­dos, e gos­tam do sono.
E estes cães são gulo­sos, não se podem far­tar;
e eles são pas­to­res que nada com­pre­en­dem;
todos eles se tor­nam para o seu cami­nho, cada um para a sua ganân­cia, cada um por sua par­te.
Vin­de, dizem, tra­rei vinho, e bebe­re­mos bebi­da for­te;
e o dia de ama­nhã será como este, e ain­da mui­to mais abundante.

(Isaías 56:8–12)

Par­ti­cu­lar­men­te gos­tei de saber que, não sen­do espe­ci­fi­ca­men­te uma ove­lha, pos­so ser algum ani­mal do cam­po ou do bos­que — tipo um gori­la ou um rino­ce­ron­te d’O Senhor!!! — e qui­se­ra eu poder alte­rar a dure­za des­sa reve­la­ção, ain­da mais por ter ami­gos mui­to que­ri­dos que pre­fe­rem per­sis­tir osten­tan­do o títu­lo de “pas­tor”, porém a pro­fe­cia é enfá­ti­ca ao repe­tir o indu­bi­ta­vel­men­te inclu­si­vo ter­mo “TODOS” por três vezes e, ain­da por cima, defi­nir exa­ta­men­te quem são os que vão que­rer domi­nar sobre os não judeus que forem agre­ga­dos para ser­vir ao Senhor…
É só esco­lher o nome: Mala­fai­as, Mace­dos, Her­nan­des, San­ti­a­gos, Soa­res… até o dono da biros­ca gos­pel aí na esqui­na de sua casa!
Ah! E as duas últi­mas linhas expres­sam cla­ra­men­te o tipo de men­sa­gem que vai carac­te­ri­zar as pre­ga­ções des­ses cães: rela­xa que bas­ta crer no que eu digo e vai tudo melhorar!

Tudo pos­so naque­le que me fortalece!

Essa afir­ma­ção soa cor­re­ta, mas é apó­cri­fa e com­ple­ta­men­te des­vir­tu­a­da do tex­to ori­gi­nal, sen­do uti­li­za­da com frequên­cia por pes­so­as que con­tra­em dívi­das mai­o­res do que sua capa­ci­da­de de paga­men­to e lan­çam mão des­sa “máxi­ma” como se fos­se uma pro­mes­sa fei­ta pelo pró­prio Deus a qual­quer cachor­ro vira-latas!
De fato, ain­da é pos­sí­vel con­si­de­rar que exis­tam “mes­tres da ora­ção com sujei­to elíp­ti­co” capa­zes de usar exa­ta­men­te a mes­ma fra­se em refe­rên­cia dire­ta ao pró­prio Sata­nás ou a algu­ma den­tre suas potes­ta­des…
Cer­ta­men­te é de gran­de vali­da­de o conhe­ci­men­to da pas­sa­gem ori­gi­nal, cuja inter­pre­ta­ção aca­ba­rá sen­do bas­tan­te simples:

Sei estar aba­ti­do, e sei tam­bém ter abun­dân­cia;
em toda a manei­ra, e em todas as coi­sas estou ins­truí­do,
tan­to a ter far­tu­ra, como a ter fome;
tan­to a ter abun­dân­cia, como a pade­cer neces­si­da­de.
Pos­so todas as coi­sas em Cris­to que me for­ta­le­ce.

(Fili­pen­ses 4:12–13)

Essa pas­sa­gem, inclu­si­ve, é magis­tral­men­te com­ple­men­ta­da por outra ain­da mais explícita:

Quem nos sepa­ra­rá do amor de Cris­to?
A tri­bu­la­ção,
ou a angús­tia,
ou a per­se­gui­ção,
ou a fome,
ou a nudez,
ou o peri­go,
ou a espa­da?
Como está escri­to:

Por amor de ti somos entre­gues à mor­te todo o dia;
Somos repu­ta­dos como ove­lhas para o mata­dou­ro.
Mas em todas estas coi­sas somos mais do que ven­ce­do­res, por aque­le que nos amou.
Por­que estou cer­to de que,
nem a mor­te,
nem a vida,
nem os anjos,
nem os prin­ci­pa­dos,
nem as potes­ta­des,
nem o pre­sen­te,
nem o por­vir,
nem a altu­ra,
nem a pro­fun­di­da­de,
nem algu­ma outra cri­a­tu­ra

(NADA) nos pode­rá sepa­rar do amor de Deus, que está em Cris­to Jesus nos­so Senhor.

(Roma­nos 8:35–39)

O “NADA” entre parên­te­ses foi acres­cen­ta­do por mim ape­nas para fins de melhor escla­re­ci­men­to do con­cei­to apre­sen­ta­do, mas per­mi­tam-me pros­se­guir com uma peque­na lis­ta de coi­sas total­men­te plau­sí­veis de ser inclu­sas nes­ta relação:

Con­trair dívi­das mai­or do que as que pode pagar: sim, tal estu­pi­dez é pos­sí­vel e você vai pas­sar ver­go­nha, mas pior que isso é come­ter essa irres­pon­sa­bi­li­da­de com os olhos fitos no céu como se esti­ves­se visu­a­li­zan­do algum espí­ri­to dan­do con­fir­ma­ção e depois, dig­no de uma sur­ra de vara, é arras­tar a figu­ra de todos os cris­tãos — espe­ci­al­men­te a dos evan­gé­li­cos — para a lama do des­cré­di­to generalizado!

Con­trair coro­na vírus: você acha que a arca caiu pron­ti­nha no colo de Noé? Ou que se José e Maria tives­sem igno­ra­do o avi­so de per­se­gui­ção seri­am tele­trans­por­ta­dos até o local onde deve­ri­am estar para o nas­ci­men­to de Cris­to?!
Ora, então você é des­ses que crê não pre­ci­sar tomar nenhu­ma medi­da pre­ven­ti­va no meio des­sa epi­de­mia do vírus Coro­na, pois o Senhor tem uma pro­mes­sa sobre sua vida e vai, nos mes­mos mol­des de alguns dese­nhos ani­ma­dos clás­si­cos, ficar se esti­can­do e con­tor­cen­do para te livrar dos peri­gos?!
Sin­to infor­mar, mas você não pas­sa de um anal­fa­bí­bli­co!!
Decer­to que a von­ta­de do Senhor é sobe­ra­na, mas Ele pró­prio tam­bém ins­pi­rou o regis­tro de que o sol bri­lha sobre jus­tos e peca­do­res, logo pode­mos ter cer­te­za de que até essa pra­ga foi per­mi­ti­da (não cri­a­da!) por Ele para o cum­pri­men­to de Seus inson­dá­veis pro­pó­si­tos: a mor­te, inde­pen­den­te de seus méto­dos, con­ti­nua sen­do con­sequên­cia do peca­do e da rebe­lião ori­gi­nais e assim vai ser até que Ele pró­prio venha por o pon­to final nes­se pro­ble­ma!
Logo, se esse mal — pou­co impor­ta se oriun­do de algum orga­nis­mo ou labo­ra­tó­rio — chi­nês, assim como qual­quer outro, vai levar jus­tos e peca­do­res: o mais pru­den­te é não se tor­nar vul­ne­rá­vel a ela e, aci­ma dis­so, não usar a fé como des­cul­pa para por em ris­co a vida alheia.
Mas Teóphi­lo… e os milagres?

DE QUEM SÃO OS MILAGRES?

Os mila­gres são fra­tu­ras na rea­li­da­de!
A Bíblia está reple­ta de rela­tos sobre mila­gres e é até pos­sí­vel se dizer algu­ma coi­sa apa­ren­te­men­te lógi­ca sobre alguns deles:
— Alte­ra­ção da den­si­da­de espe­cí­fi­ca da maté­ria: mura­lhas rom­pi­das pelo som, macha­do flu­tu­an­te, Cris­to andan­do sobre as águas;
— Alte­ra­ção do ciclo pla­ne­tá­rio: o sol (ou a ter­ra) que parou (mas é impor­tan­te notar que o tem­po con­ti­nu­ou cor­ren­do);
— Alte­ra­ções orgâ­ni­cas diver­sas, mul­ti­pli­ca­ção celu­lar ins­tan­tâ­nea per­mi­tin­do a rege­ne­ra­ção de órgãos espe­cí­fi­cos…
Enfim, mila­gres são a base do que hoje cha­ma­mos “fic­ção cien­tí­fi­ca” e há um deta­lhe extre­ma­men­te impor­tan­te acer­ca de todos eles: NENHUM per­ma­ne­ceu se repe­tin­do medi­an­te exe­cu­ção de fór­mu­la ou protocolos!!

Vou ten­tar ser mais cla­ro usan­do o famo­so epi­só­dio de Moi­sés abrin­do o Mar Ver­me­lho ao tocá-lo com seu caja­do, tão conhe­ci­do que até se tor­nou base para mui­tas piadas:

Eu pró­prio já ri mui­to de coi­sas como essas, mas ines­pe­ra­da­men­te me dei con­ta de que o poder para abrir as águas NUNCA FOI de Moi­sés… aliás, o poder para abrir as águas tam­bém nun­ca este­ve na vara que ele car­re­ga­va: todo o poder sem­pre este­ve con­ti­do no pró­prio Senhor Deus que, onis­ci­en­te e oni­po­ten­te, usa­va de figu­ras para demons­trar sua sobe­ra­nia!!
Se fos­se pos­sí­vel a Moi­sés retor­nar um mês depois até aque­le exa­to pon­to onde o mila­gre ocor­reu e nova­men­te tocar as águas com seu caja­do… sabe o que acon­te­ce­ria?
NADA!!!
Da mes­ma for­ma, se ele tives­se ido até lá ante­ri­or­men­te — para, sei lá, fazer um trei­na­men­to — e repro­du­zis­se toda a cena mira­cu­lo­sa, as águas per­ma­ne­ce­ri­am fazen­do o que sem­pre fazem em seu papel aquo­so líquido.

Tal­vez meu pri­mei­ro pas­so na jor­na­da para ser um genuí­no ser­vo de Deus tenha sido o reco­nhe­ci­men­to de que em mim não há poder algum e depen­do inte­gral­men­te d’E­le: pela minha von­ta­de não pos­so rea­li­zar mila­gre algum e nem mes­mo ousar emi­tir uma sim­ples pro­fe­cia!
Todos os demais “mila­grei­ros” da Bíblia foram usa­dos e nun­ca pas­sa­ram de reles e momen­tâ­ne­os canais atra­vés dos quais, de manei­ra abso­lu­ta­men­te empí­ri­ca, fluiu uma peque­na fra­ção do poder de Deus: o úni­co per­so­na­gem que tinha em si pró­prio o poder para a rea­li­za­ção de atos sobre­na­tu­rais foi o Senhor Jesus Cris­to.
Infe­liz­men­te mui­tos não têm a capa­ci­da­de de com­pre­en­der isso e con­ti­nu­am per­se­guin­do mila­gres em vez de exer­ci­tar a fé atra­vés do enten­di­men­to da Pala­vra: são tan­tos que foram cri­a­das até empre­sas ecle­siás­ti­cas em tor­no de ritu­ais que pro­me­tem mila­gres!
Toda essa ritu­a­lís­ti­ca aca­ba não pas­san­do da mais pura e dia­bó­li­ca fei­ti­ça­ria, poden­do até ser qua­li­fi­ca­da como este­li­o­na­to des­ca­ra­do e com pos­sí­veis con­sequên­ci­as dra­má­ti­cas… senão funestas.

Escre­vo estas linhas pen­san­do em duas pes­so­as:
Meu vizi­nho, que sofre de psi­co­se, mora com a mãe (que tem mais de 90 anos) e dedi­ca horas a estar sen­ta­do no por­tão obser­van­do a vida pas­sar, às vezes len­do a Bíblia… e reves­ti­do des­sa boa fé evan­gé­li­ca foi até uma des­sas igre­jas onde o pas­tor cha­mou todos os doen­tes até a fren­te e, após uma ora­ção, ousou dizer que esta­vam cura­dos de todas as doen­ças!
Ele, cré­du­lo a um nível infan­til, parou de tomar os remé­di­os.
Vinha sen­tin­do fal­ta de encon­trá-lo como acon­te­cia qua­se todas as vezes que saía de minha casa, mas nun­ca ima­gi­nei vê-lo, domin­go ago­ra, che­gan­do em casa esque­lé­ti­co e com o olhar mui­to mais dis­per­so do que o habi­tu­al: pas­sa­ra um mês inter­na­do numa clí­ni­ca psi­quiá­tri­ca à qual teve de ser leva­do usan­do cami­sa de for­ça!!
Mui­tos ques­ti­o­nam se o cris­tão pode ou não fazer ora­ções impre­ca­tó­ri­as, mas do fun­do de meu cora­ção eu gos­ta­ria mui­to de ver fogo do céu des­cen­do sobre cana­lhas incon­se­quen­tes como esse pachtô­zi­nho de fezes!
Meu ami­go cuja mãe pere­ceu não mui­to tem­po após a minha e ago­ra — por ape­nas ter ouvi­do o fal­so evan­ge­lho dos mila­gres, curas e coi­sas impos­sí­veis — está pro­mo­ven­do uma cru­za­da de pos­ta­gens con­tra algo que não é, de fato, o ver­da­dei­ro Deus Cri­a­dor, ape­nas um arre­me­do tos­co e cons­truí­do em cima das falá­ci­as comu­men­te usa­das pelos bene­vo­len­tes igno­ran­tes bíbli­cos ou pelos líde­res que que­rem extor­quir dinhei­ro das pes­so­as deses­pe­ra­das e enganadas.

Não exis­tem fór­mu­las para extrair­mos de Deus o que que­re­mos.
Nenhum ritu­al vai nos dar poder para obri­gá-lO a nos obe­de­cer.
Não pode­mos subor­ná-lO.
Não pode­mos demo­vê-lO de seus pla­nos ori­gi­nais.
A ver­da­dei­ra ora­ção de fé vai, no final das con­tas, ser o cami­nho para nos tor­nar mais sub­mis­sos a Ele, capa­zes de com­pre­en­der Sua von­ta­de sobe­ra­na e, mes­mo sem mui­tas vezes con­se­guir com­pre­en­der ple­na­men­te, nos sub­me­ter a seus inson­dá­veis desíg­ni­os.
E os mila­gres… ah, os mila­gres… são o momen­to quan­do o Senhor Deus, conhe­cen­do pre­ci­sa­men­te todas as con­sequên­ci­as daque­le fato, alte­ra as regras da rea­li­da­de PARA QUE TANTO SEU PODER SEJA RECONHECIDO QUANTO SEU NOME GLORIFICADO, inde­pen­den­te­men­te da opi­nião huma­na.
(Ou você acha que, por exem­plo, o povo do Egi­to ficou con­ten­te após o epi­só­dio do Mar Vermelho?)

Se um dia fui mais ati­vo para escre­ver tex­tos como esse, era por­que tinha uma pers­pec­ti­va envi­e­sa­da de que algu­ma coi­sa rela­ci­o­na­da aos pla­nos divi­nos pudes­se depen­der de mim, mas, como já dis­se, estou ple­na­men­te cons­ci­en­te de que não tenho poder algum… nem para sal­var nin­guém, mes­mo que eu quei­ra mui­to!
Na ver­da­de nem sei bem a razão de ter me dedi­ca­do a escre­ver tudo isso, mas já que che­guei até aqui vou publi­car: quem sabe essas pala­vras não pos­sam aca­bar ser­vin­do para escla­re­cer alguém?
Se ser­vir, por favor, me dei­xe saber.
Se não ser­vir, fica tudo como antes no quar­tel de Abran­tes: seja feliz!

Em tem­pos de qua­ren­te­na, epi­de­mia e vírus Coro­na, não gos­ta­ria de entrar em deba­te se tudo isso é ou não par­te do prin­cí­pio das dores que ante­ce­dem a gran­de tri­bu­la­ção, mas ape­nas des­ta­car que a pala­vra “coro­na” sig­ni­fi­ca “coroa” em Latim e, para con­cluir, fazer uma cita­ção nes­sa língua:

“Esto fide­lis usque ad mor­tem,
et dabo tibi coro­nam vitae.”

“Sê fiel até à mor­te, e dar-te-ei a coroa da vida(Apo­ca­lip­se 2:10)

Se até o móvel, que era de madei­ra e deve­ria durar, encon­trou o seu fim… quem somos nós para que­rer ter um cor­po eter­no?
Se a coroa que ago­ra está no mun­do é a da mor­te, quan­tos serão aben­ço­a­dos com a deter­mi­na­ção para alcan­çar a coroa da vida?

Aqui quem escre­ve é o velho Teóphi­lo Notur­no e pros­si­go, sem­pre gra­tui­ta­men­te e con­tra todas as adver­si­da­des, ofe­re­cen­do O Pior Evan­ge­lho do Mun­do.
Sin­ce­ra­men­te espe­ro que esse tex­to tenha pro­mo­vi­do refle­xão e sido útil para sua edi­fi­ca­ção: sem­pre bus­co estri­ta e sóli­da base bíbli­ca, não sen­do vin­cu­la­do nem rece­ben­do fun­dos de nenhu­ma fran­quia de empre­sas ecle­siás­ti­cas ou empre­ja em par­ti­cu­lar.
O Senhor per­mi­tiu que a sur­dez me tocas­se em 2018 e, a des­pei­to de meus esfor­ços pes­so­ais, eu e minha famí­lia temos pas­sa­do por séri­as difi­cul­da­des finan­cei­ras, espe­ci­al­men­te des­de que minha mãe fale­ceu: por isso não me enver­go­nho de pedir seu auxí­lio não ape­nas para cus­te­ar domí­nio e hos­pe­da­gem, mas tal­vez até para con­se­guir suprir algu­mas neces­si­da­des coti­di­a­nas.
NÃO É SUA OBRIGAÇÃO me aju­dar, mas pode ter cer­te­za que sua doa­ção irá pro­por­ci­o­nar recur­sos e tem­po para me dedi­car a esse “minis­té­rio virtual”.

Dese­jan­do cola­bo­rar finan­cei­ra­men­te com qual­quer valor, minha cha­ve PIX prin­ci­pal é [email protected]​gmail.​com e essa ima­gem é do meu QR code: meu nome é Geo­va­ne Igná­cio de Sou­za, o tre­cho do CPF a apa­re­cer deve ser o “927.157″ e a ins­ti­tui­ção finan­cei­ra é o Nubank.

Por mais que quei­ra, des­ta­co que não tenho em mim mes­mo a menor capa­ci­da­de de for­çar o Pai a te aben­ço­ar por cau­sa dis­so, mas oro a Ele pedin­do para que, no tem­po cor­re­to e na medi­da mul­ti­pli­ca­da, retri­bua a bon­da­de rea­li­za­da da for­ma mais ade­qua­da: seja atra­vés de livra­men­tos ou de diver­sas bên­çãos possíveis.

Que a gra­ça e a paz de nos­so Senhor e Sal­va­dor Jesus Cris­to sejam conos­co, os que amam e bus­cam ser­ví-lO, hoje e para todo o sempre!

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