Paulo, em sua primeira epístola aos Coríntios, ressalta um ponto interessante na condição do ser humano, especialmente os convertidos à fé em Cristo para serem suas testemunhas: a maioria dos salvos, daqueles que fazem parte da verdadeira Igreja de Cristo (aquele que não se vê através dos olhos físicos, mas pela fé) não são pessoas de grande projeção ou famosas, nem de origem abastada: sua maioria é formada por pessoas que, aos olhos do mundo, são anônimos, humildes, e até irrelevantes à sociedade.
Irmãos, contemplai a vossa vocação!
(1 Coríntios 1:26-29 – KJA)
Pois não foram convocados muitos sábios, de acordo com critérios humanos, nem muitos poderosos, nem tampouco nobres.
Pelo contrário, Deus escolheu justamente o que para o mundo é insensatez para envergonhar os sábios, e escolheu precisamente o que o mundo julga fraco para ridicularizar o que é forte.
Ele escolheu o que do ponto de vista do mundo é insignificante, desprezado, e o que nada é, para reduzir a nada o que é, com o objetivo de que nenhuma pessoa se vanglorie perante Ele.
O próprio Paulo, que escreve esse texto, era uma exceção a essa regra, tratandos-e de uma figura muito incomum, quase única no mundo em seu tempo: era cidadão romano, judeu da classe dos fariseus e versado na cultura grega, sendo, portanto, alguém com um status social elevado e livre acesso a três culturas diferentes.
No entanto, não foram chamados muitos como ele — como ele próprio admite — e, como fica claro no texto destacado, isso tem uma razão: mostrar que o único critério de Deus para chamar alguém para ser parte de seu Reino é a sua própria graça. Não existe qualquer mérito humano nisso!
Assim como Deus não se importou com a aparência dos irmãos mais velhos de Davi ao escolher o jovem pastor de ovelhas para ser o rei de Israel, mas sim para o coração do futuro monarca (vide 1 Samuel 16:6-7), aquilo que o mundo considera valioso não significa nada para o Senhor dos céus e da Terra.
O autpor da epístola aos Heberus também ressalta esse ponto:
Algumas mulheres receberam por meio da ressurreição os seus mortos de volta à vida.
(Hebreus 11:35-38 – KJA)
Uns foram martirizados e não negociaram seu livramento, a fim de poderem conquistar uma ressurreição ainda mais excelente;
muitos enfrentaram zombarias e torturas, outros ainda foram acorrentados e jogados aos cárceres; apedrejados, serrados ao meio, tentados, mortos ao fio da espada.
Andaram sem rumo, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, angustiados e maltratados.
Caminharam como refugiados, vagando pelos desertos e montes, pelas cavernas e buracos na terra.
Pessoas das quais o mundo não foi digno!
Essas pessoas foram a tal ponto agraciadas por Deus que receberam a força até mesmo para suportar perseguição, sofrimento e morte, tudo pela fé que tinham de receberem a recompensa final, a ressurreição para a posse do reino eterno compartilhado com Jesus.
E, como se percebe, os nomes de tais pessoas — de nenhuma delas! — são sequer citados: o autor simplesmente diz que “o mundo não era digno deles”.
E nada disso é mérito, mesmo porque, como diz Paulo, essas pessoas, em sua maioria, não eram pilares da sociedade, nem tiveram seus nomes registrados na história, como diz o autor da epístola aos Hebreus.
Tudo isso é dependente de uma só coisa: de Deus usar a sua misericórdia, como o próprio Senhor disse a Moisés em Êxodo 33:19 e é repetido, por Paulo, em Romanos 9:15-16.
Nada há, portanto de mérito humano em se pertencer a Jesus e ser salvo. Tudo é por graça divina.
Seja cada um de nós constantemente lembrado que “mérito” é algo que apenas Jesus possui, nenhum outro tem nada a apresentar diante da santidade do Pai.
E que essa humildade permeie todo o nosso ser, fazendo-nos seguir a vontade daquele que por nós morreu e ressuscitou, não para alcançar a salvação, mas como fruto daquele que sabe que está salvo.
Nunca por seus próprios mérito, sequer se vangloriando… mas sempre e somente pela graça e misericórdia divinas.
Nos Laços do Calvário
Eduardo Pydd Teixeira
Nascido na Porto Alegre de 1973, exerceu ministério pastoral na IELB — Igreja Evangélica Luterana do Brasil entre 1999 e 2008. Radicado em São Paulo desde o final de 2008.
TÍTULO ORIGINAL: NÃO SE VANGLORIE NA PRESENÇA DE DEUS
Parece que os tempos finais estão se revelando cada vez mais rapidamente e, antes que o Senhor volte como um ladrão na noite, já podemos observar indícios do profetizado reinado do anticristo se consolidando não apenas no Brasil, mas por todo o mundo!
Na fase 2023 d’O Pior evangelho decidi lançar mão de novos formatos na expectativa auxiliar a aumentar o alcance dos conteúdos relacionados às Escrituras — stories, vídeos, textos mais curtos, autores convidados… — e essa publicação, onde tomei a liberdade de realizar revisão e ilustração, é parte desse projeto.
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