Negociações Inválidas

Podemos Impor Nossas Condições A Deus?

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Em uma recente entrevista ao “Inteligência Ltda”, o conhecido drag queen Léo Aquilla declarou ter feito um “pacto com Deus”: após ter dito ser fiel ao seu companheiro, afirmou ter prometido a Deus que seria a “melhor pessoa” do mundo, se esforçando ao máximo para ser o melhor em todas as suas realizações (inclusive na política, já que foi nomeado para ser titular da Coordenação de Políticas de LGBTI+ na Prefeitura de São Paulo), tudo para agradá-lO e por amor ao próximo.
“Se mesmo assim” — diz — “o Senhor quiser me mandar para o inferno, mande!”
Podemos perceber, neste episódio, dois equívocos bem comuns entre aqueles que, de fato, não têm a clareza sobre a natureza de Deus e sua relação com o ser humano.

O primeiro e mais “clássico”, por assim dizer, é a ideia de que seja possível alcançar a salvação por meio das obras.
Isso é natural do instinto humano: tentar agradar a divindade na qual se acredita, seguindo normas e preceitos que se julga serem agradáveis a ela… porém, no Cristianismo, tal coisa simplesmente não é possível!
Isso porque a Lei de Deus é tão santa e perfeita que Tiago registrou:

Porquanto, quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas uma das suas ordenanças,
torna-se culpado de quebrá-la integralmente.

(Tiago 2:10 – KJA)

Como se vê, basta UM ÚNICO pecado para toda a Lei de Deus ser quebrada.
E o detalhe é que Tiago diz que BASTA TROPEÇAR, ou seja, sequer sendo necessário que, de fato, se “caia”!
Em outras palavras, não é necessário um pecado deliberado: mesmo um pecado cometido sem que a pessoa saiba se tratar de um pecado… já a torna culpada diante da Lei divina, tornando impossível a sua Salvação por méritos próprios.
Embora esteja diretamente relacionado a este primeiro, o segundo equívoco no discurso de Léo Aquila tem um direcionamento mais específico e vem se tornando um dos mais praticados e aceitos por muitos no mundo atual:

A TENTATIVA DE “COMPENSAÇÃO”

A partir do momento em que a pessoa cai no equívoco de imaginar ser possível agradar a Deus por meio das obras, sem que primeiro tenha ocorrido uma genuína conversão, uma das consequências é exatamente o pensamento de tentar compensar um pecado que não se quer abandonar — aquilo ao que, na gíria, normalmente é chamado de “pecado de estimação” — através da prática de boas obras e do abandono de outros pecados dos quais não se sente falta… ou se sente menos.

Esse pensamento é simplesmente uma autoilusão, nada mais.
Como já foi dito, não há possibilidade de uma pessoa — por melhor e mais íntegra que seja aos olhos das demais — agradar a Deus por meio de suas obras, se não houver nela um coração realmente convertido a Jesus Cristo.
Isaías afirmou:

Ora, todos nós estamos na mesma condição do impuro!
Todos os nossos atos de justiça se tornaram como trapos de imundícia.
Perdemos o viço e murchamos como folhas que morrem,
e como o vento as nossas próprias iniquidades nos empurram para longe.

(Isaías 64:6 – KJA)

Isso significa que, para Deus, têm o mesmo valor das ataduras que os leprosos usavam para esconder suas chagas ou dos panos usados pelas mulheres em seu período menstrual.
E a verdade é que, mesmo que fosse possível compensar pecados com boas obras, isso não daria ao ser humano qualquer “crédito” para continuar na prática de um “pecado de estimação” sem estar sob a ira de Deus e sob o peso de sua justiça… situação da qual apenas Jesus Cristo pode tirá-lo.

Como já foi mencionado: um único tropeço, em um único ponto da Lei divina… já condena a pessoa ao castigo eterno, e apenas a fé em Cristo pode mudar essa situação.
O fato é que renunciar aos pecados que não são apreciados na tentativa de obter um “salvo-conduto” para continuar praticando o “de estimação” é, em última análise, uma autoilusão, pois significa somente a recusa de aceitar ser realmente provado por Deus.
Há pessoas que, por exemplo, não são tentadas na área do dinheiro e esse é o seu “ponto forte”: pode-se entregar uma grande soma em suas mãos e dizer-lhes que não gastem nada e, de fato, elas não o farão… e nem sentirão qualquer ansiedade por isso.
Porém, essas mesmas pessoas podem ter outro ponto fraco como, por exemplo, a questão sexual e, sendo tentadas nessa área, passarão por uma pesada luta interna, sofrerão para resistir e, eventualmente, cairão neste pecado.
Com esse exemplo, como fica a questão da prova real da fé?

É óbvio que a verdadeira provação só acontece quando a pessoa enfrenta a tentação naquilo onde está fraca: um cristão só é realmente provado e fortalecido quando enfrenta alguma situação arriscada… e não aquela que não representa perigo para ele.
Se alguém se recusa a ir consultar um cartomante por já não levar essa crença a sério, isso não é uma provação.
A provação acontecerá quando esse cristão, que pode ser, por exemplo, vulnerável ao pecado da cobiça, for colocado em uma situação na qual poderá ter acesso a dinheiro ilícito.
Essa é a prova real, o exame verdadeiro.

Segundo Mateus 4:1-11, Jesus foi tentando pelo diabo exatamente nos pontos nos quais estaria mais vulnerável:
1º – Após passar 40 dias em jejum, o diabo o desafia a transformar pedras em pães;
2º – Com a missão de salvar o mundo, o diabo o desafia a ganhar a atenção do povo para a sua mensagem com sensacionalismo, saltando do alto do templo;
3º – Tendo o objetivo de estabelecer o Reino Eterno de Deus, o diabo o desafia a adorá-lo e receber os reinos que ele afirma serem seus;
Sabemos que Jesus não cedeu a nenhuma destas tentações, porque, se caísse em qualquer uma delas, estaria desqualificado como Salvador, não cumprindo a vontade do Pai.
É interessante notar que Adão e Eva falharam ao — no Paraíso e com toda a fartura — cair em uma só tentação, ao passo que Jesus — no deserto e após ter passado vários dias sem comer — venceu, suportando três tentações de naturezas diferentes. Assim sendo, cabe a pergunta: qual deve ser o padrão do Cristão, Adão ou Cristo?
A resposta é óbvia.

Desse modo, tal como Jesus não cedeu a uma tentação pensando que resistiu às outras duas, o cristão não pode partir do pensamento que ele pode manter um pecado de estimação e evitar os demais, valendo-se dessa ilusão da compensação: a Lei de Deus é santa, perfeita e não permite brechas para o pecado, seja o de estimação ou os que não fazem falta ao ego humano.
A resistência ao pecado de estimação é uma das possibilidades da “Cruz” que o próprio Jesus disse ser necessário que cada cristão carregue ao segui-lo, negando-se a si mesmo, ou seja, renunciando aos próprios desejos para não se afastar d’Ele (veja Mateus 16:24).
Embora tal situação possa ser terrivelmente pesada e até mesmo impossível para nós, pecadores decaídos, não é o que acontece quando se tem a presença de Deus em nossas vidas.

Deus pode tirar o desejo pecaminoso do coração do seu filho convertido?
Sim, porém Ele também pode não o retirar e determinar que seu filho tenha de lutar constantemente contra ele, sendo essa a cruz que deverá tomar e carregar.
E, somente com a bênção de Deus e o selo do Espírito Santo, essa não será uma tarefa impossível.
Portanto não fiquemos — como fez Léo Aquila naquele Podcast — imaginando que o pensamento da “compensação” tem alguma validade diante de Deus: é imprescindível iluminação e esclarecimento sobre quem, de fato, é Deus também em sua vida… caso contrário, no dia do juízo, ouvirá exatamente o que não quer: que seu destino eterno é a condenação.
Que possa existir alguém quem lhe testemunhe e ensine a Verdade, mesmo que sua reação inicial seja de hostilidade.

E que cada um de nós, cristãos, estejamos sempre conscientes da necessidade de total dependência de Jesus Cristo para a salvação.
Que a luta de cada um seja contra TODOS os pecados e não apenas contra aqueles que não nos fazem falta, nos autoiludindo e esquecendo da absoluta santidade da Lei de Deus: nunca atingiremos o padrão de Jesus Cristo nesta vida, mas a luta contra o pecado e a busca constante por nos amoldarmos a Ele tem de ser um desafio diário e constante em nossa existência, sabendo que somente Ele é capaz de nos purificar de todo pecado.

Nos Laços do Calvário

TÍTULO ORIGINAL: A ILUSÃO DA COMPENSAÇÂO

Sou grato a Deus por haver encontrado um colaborador com entendimento tão harmonioso: há algum tempo abordei a questão das Ofertas Indesejadas e o presente artigo expande e complementa perfeitamente o conceito lá apresentado.
Tudo parece indicar que os tempos finais estão se revelando cada vez mais rapidamente e, antes que o Senhor volte como um ladrão na noite, já podemos observar indícios do profetizado reinado do anticristo se consolidando não apenas no Brasil, mas por todo o mundo!
Na fase 2023 d’O Pior evangelho decidi lançar mão de novos formatos na expectativa auxiliar a aumentar o alcance dos conteúdos relacionados às Escrituras — stories, vídeos, textos mais curtos, autores convidados… — e essa publicação, onde tomei a liberdade de realizar revisão e ilustração, é parte desse projeto.
Obrigado por ter lido até aqui.
Continuo necessitando de toda colaboração possível: comentários, compartilhamentos e reações ajudam a divulgar este conteúdo que foi integralmente produzido na intenção de colaborar para a edificação do Corpo de Cristo no mundo.

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