Quando Jesus cita a mulher de Ló (em Lucas 17:32), tampouco menciona seu nome ou faz qualquer referência à sua identidade.
Nem mesmo seu nome é conhecido e nada se sabe a respeito dela além do que é relatado nestas passagens que mostram o quanto a desobediência a uma ordem de Deus pode ser grave:
E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida;
(Gênesis 19:17, 24-26 – ACF)
não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina;
escapa lá para o monte, para que não pereças
(…)
Então o SENHOR fez chover enxofre e fogo, do SENHOR desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra;
E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.
E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.
Ou seja, ela é lembrada apenas como um exemplo do que não se deve fazer ao receber uma ordem do Criador: desobedecê-la.
Outro ponto a ser destacado é o fato de que a Bíblia tampouco menciona a razão específica dessa desobediência.
No entanto, sendo Ló um homem bem-sucedido financeiramente e morando em uma cidade que, embora corrupta e ímpia (vide Gênesis 13:13), oferecia a seus moradores mais abastados uma condição de vida confortável, é razoável supor que ela era muito apegada a seus bens, riquezas e prosperidade: em meio à fuga, seu coração sentiu o peso de perder tudo aquilo a que se apegava, de modo que Deus não lhe pareceu suficiente para aceitar a drástica mudança de vida que teria de enfrentar.
Mesmo com Deus mostrando seu desejo de salvar toda a família e enviando dois anjos à sua casa para advertir sua família a respeito da destruição que viria, ela não queria perder o que possuía e tentou ver se algo dentre suas posses poderia ter sido preservado… e isso acabou por custar-lhe a vida.
O chamado à reflexão deste texto é no sentido de que cada cristão pense em até que ponto o fato de ser filho de Deus é suficiente para dar sentido à sua existência.
A pergunta é importante, pois há muitos que também se apegam às suas ambições, projetos e desejos terrenos a ponto de, em vários momentos, não conseguirem ver o valor da presença de Deus em suas vidas, mesmo que as circunstâncias não sejam agradáveis ou favoráveis.
Há, por exemplo, os que desejam alcançar seus objetivos terrenos — como concluir uma faculdade, adquirir uma casa, um carro, ou obter sucesso em sua profissão… — a tal ponto que, caso não consigam, revoltam-se contra Deus, e até buscam meios ilícitos, pecaminosos para obter o que desejam.
Um caso interessante é o do Rei Zedequias, que foi colocado como regente da Babilônia sobre o reino de Judá.
Segundo o relato bíblico, ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, cometeu os mesmos pecados de seu antecessor, Jeoaquim (conforme 2 Reis 24:19) e, verificando o que é dito dos pecados dos mesmos nos capítulos anteriores, percebe-se que o ponto principal era a tolerância e mesmo o incentivo à idolatria.
Seu fim foi terrível, tendo seus olhos vazados após ter visto seus filhos serem executados na sua frente e, ao que tudo indica, em seguida sendo preso pelo resto da vida (vide 2 Reis 25:6-7).
Mesmo que tenha uma “cultura” cristã, na verdade um idólatra é — tal como a mulher de Ló — alguém para quem o próprio Deus vivo não lhe é o bastante…
“Apenas” ser filho de Deus não lhe parece suficiente, de modo que busca preencher os supostos espaços vazios que julga ter em seu ser com realizações terrenas e até mesmo com a devoção a outras alegadas divindades ou poderes.
É por isso que muitos dentre os que se dizem “cristãos” eventualmente leem horóscopo, praticam — a fim de obter sucesso no ano que se inicia — rituais característicos da umbanda na virada do ano e, para não serem taxados de “intolerantes”, buscam ser “politicamente corretos” com adeptos de religiões pagãs, aceitando até participar de suas celebrações e rituais.
Porém, em vista do que se vê acontecendo no mundo de hoje, a necessidade de cada cristão conscientizar-se de que Deus é o suficiente é urgente e imperiosa: estar excessivamente preso às coisas da Terra, aos projetos, ambições e conquistas da vida presente é um problema que pode ser muito sério!
Mesmo o valor excessivo dado às amizades pode se constituir em um problema, já que Jesus advertiu que ocorreriam traições com enorme frequência nos tempos que antecederiam a sua volta (verifique Mateus 24:9-10).
Em suma, o único Deus vivo e verdadeiro terá de ser o suficiente e — cada vez mais — isso terá de ficar claro para todos os cristãos nos tempos do fim.
A boa notícia é que Ele é, sim, o suficiente.
O Criador dos céus e da Terra, aquele que enviou seu Filho para pagar o preço dos pecados da humanidade (vide João 3:16) e tem poder para fazer infinitamente mais do que o ser humano pode pedir ou mesmo imaginar (conforme Efésios 3:20) é tudo de que se precisa.
Nem sempre o cristão sentira Sua presença de forma clara, principalmente quando enfrentar dificuldades, injustiças e até perseguição… mas o mesmo Deus que manteve milhares de mártires firmes na fé mesmo em meio à crueldade dos perseguidores ao longo da História é O que está com cada cristão no mundo de hoje.
Essa é uma promessa foi feita por Ele próprio, na pessoa de Seu Filho:
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações,
(Mateus 28:19-20 – ACF)
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;
e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo.
Amém.
Dessa forma, não há necessidade de um cristão agir como a mulher de Ló ou como Zedequias: tão logo a vida terrena se encerrar, inexoravelmente as coisas deste mundo ficarão para trás, conforme registrou o apóstolo Paulo:
Porque ingressamos neste mundo sem absolutamente nada, e ao partirmos daqui, nada podemos levar.
(1 Timóteo 6:7 – KJA)
Na existência daquele que se despedir desta Terra, só o que importará é a presença de Deus.
E apenas essa presença — na pessoa do Espírito Santo e manifesta através da fé — o colocará na posse do reino que foi preparado, desde a fundação do mundo, para todos os que creem:
Então, dirá o Rei a todos que estiverem à sua direita:
(Mateus 25:34 – KJA)
‘Vinde, abençoados de meu Pai! Recebei como herança o Reino, o qual vos foi preparado desde a fundação do mundo’.
Nos Laços do Calvário
Eduardo Pydd Teixeira
Nascido na Porto Alegre de 1973, exerceu ministério pastoral na IELB — Igreja Evangélica Luterana do Brasil entre 1999 e 2008. Radicado em São Paulo desde o final de 2008.
TÍTULO ORIGINAL: DEUS É SUFICIENTE
Às vezes me deparo com pessoas que pensava ser cristãs publicando coisas relacionadas a horóscopo nas redes sociais, em outras, homens nivelando o Senhor Jesus Cristo a quaisquer outros “deuses” quando aceitam jurar em sociedades secretas que prometem “iluminação”…
Tais ilusões de sabedoria são apenas a comprovação de que a iniquidade se multiplica exatamente como profetizado nas Escrituras, sendo isso apenas mais um indício de que os tempos finais estão se configurando muito rapidamente e, antes que o Senhor volte como um ladrão na noite, é necessário que o profetizado reinado do anticristo se consolide não apenas no Brasil, mas por todo o mundo!
Na fase 2023 d’O Pior evangelho decidi lançar mão de novos formatos na expectativa auxiliar a aumentar o alcance dos conteúdos relacionados às Escrituras — stories, vídeos, textos mais curtos, autores convidados… — e essa publicação, onde tomei a liberdade de realizar revisão e ilustração, é parte desse projeto.
Obrigado por ter lido até aqui.
Continuo necessitando de toda colaboração possível: comentários, compartilhamentos e reações ajudam a divulgar este conteúdo que foi integralmente produzido na intenção de colaborar para a edificação do Corpo de Cristo no mundo.