O Senhor Jesus Cristo, enquanto viveu organicamente — em substância e convívio humano — mesmo sendo o próprio Deus encarnado e portando em cada uma de Suas sentenças um AXIOMA, optou por limitar consideravelmente a extensão de Seus poderes. Ele escolheu permanecer, na maior parte do tempo, submisso às exatas leis com as quais delimitou a Criação, estabelecendo o cenário para a revelação daquela que viria a ser a maior bem-aventurança.
A Restrição Do Ilimitado
O próprio Cristo, tal como Seus discípulos e em oposição direta aos líderes eclesiásticos que proliferam há dois séculos, jamais prometeu um “show de milagres” ou entretenimento fundamentado em ações sobrenaturais para alterar a sorte da plateia.
O único prodígio que Ele frequentemente anunciava, com precisão profética e bastante antecedência, era este:
E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou à parte os seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes:
Eis que vamos para Jerusalém,
e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte.
E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem,
e ao terceiro dia ressuscitará.
É sintomático que, ao contrário do que pregam os politicamente corretos “cristãos vermelhos“, o Messias não mantinha uma rotina de intimidade conivente com prostitutas ou quaisquer outros pecadores radicais.
Embora todos tenham pecado, transformar a iniquidade em profissão ou estilo de vida identitário ainda é a exceção — por mais que a mídia e a engenharia social tentem nos impor tais práticas como norma. No cenário bíblico, você poderia testemunhar uma tentativa de linchamento e apenas muito depois descobrir que a vítima era uma prostituta.
Em nossos dias, essa violência física é improvável, pois a prostituição tem sido glorificada, elevando suas profissionais mais destacadas ao patamar de “celebridades”, incentivando a juventude a seguir o pecado como se fosse uma carreira legítima.
A mídia enaltece a depravação de modo que, ao ler um simples portal de notícias, deparamo-nos com a exposição de suas rotinas obscenas (ou até mesmo episódios de nudez escancarada!), tornando-as conhecidas até por quem repudia o ofício.
O fato é que Cristo, sendo Deus, não precisava de apresentações para conhecer os detalhes de uma vida, do início ao fim, e muito menos precisava participar de depravações para exercer misericórdia.
Nos milagres registrados, Ele nunca foi pego de surpresa, mas sempre se posicionou de forma estratégica e, quase sempre, discreta.
Sua intenção era transmitir a verdadeira mensagem do evangelho, que jamais foi de acolhimento passivo às práticas condenáveis, mas um imperativo de ruptura com os grilhões do mal: NÃO PEQUEIS MAIS!
Tomé
Tomé, ao contrário da prostituta citada, fazia parte do círculo íntimo que convivia diariamente com o Messias.
Ele não apenas presenciou milagres inegáveis, como, além do que está registrado na passagem acima, ouviu repetidamente — Marcos 10:32-34, Lucas 18:31-34, Marcos 8:31-33 (equivalente a Mateus 16:21-28), Marcos 9:30-32 (equivalente a Mateus 17:22-23) e Mateus 26:1-2 — o próprio Mestre profetizando Sua morte e ressurreição. Ainda assim, Tomé agiu como o típico humanista: esqueceu a Palavra e abraçou o ceticismo.
Após o trauma da crucificação, as Escrituras registram este episódio fantástico:
Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor.
Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.
E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé.
Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse:
Paz seja convosco.
Depois disse a Tomé:
Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.
E Tomé respondeu, e disse-lhe:
Senhor meu, e Deus meu!
Disse-lhe Jesus:
Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
A Glória Além Do Ceticismo
Permitam-me uma breve atualização analítica desta passagem:
Tomé, tal como muitos “clientes” das empresas eclesiásticas atuais, estava no lugar certo e ouvia o testemunho fiel do cumprimento profético, mas duvidava de tudo!
Tomé, o “espertão”, ignorava solenemente o que Jesus havia avisado com antecedência. Para ele, o Senhor estava morto e o relato dos amigos era alucinação coletiva.
Talvez permanecesse ali por conveniência social, pois a ressurreição afrontava tudo o que o “cientificismo” da época e o atual ousam ditar.
Cristo, porém, já não estava limitado pelo corpo orgânico de Seu ministério terreno.
Ele Se apresentava num corpo glorificado — algo que transcende a nossa imaginação e que, para usar uma linguagem que as crianças e os “geeks” entendam, é infinitamente superior ao poder de um Super Saiyajin.
Pleno em Sua divindade, Ele poderia perfeitamente ignorar aquele ser tolo, incrédulo e ensimesmado, deixando-o seguir com sua descrença… e depois, ainda, condená-lo ao inferno por ter ser recusado a crer nas palavras saídas de Sua própria boca!
Mas Cristo, em Sua misericórdia pedagógica, materializou-Se sobrenaturalmente e focou Sua atenção exclusivamente em Seu amigo menos fiel.
Ele permitiu que Tomé tocasse o Sagrado que, possivelmente, todos os demais salvos só conhecerão face a face após o Retorno Triunfal.
Enfim, Tomé creu. Mas Cristo — somando a todas as bem-aventuranças listadas no Sermão do Monte — proferiu nesta ocasião única aquela que pode ser considerada a maior bem-aventurança de todas: “Bem-aventurados os que NÃO VIRAM e CRERAM!”
Enfim, Tomé creu, mas Cristo — somando a todas as bem-aventuranças que (dependendo da tradução, podem variar de 8 a 10) estão listadas oficialmente na Bíblia — nesta ocasião especialíssima e única, proferiu esta que incrivelmente não consta como uma delas, apesar de poder ser considerada a maior de todas: bem-aventurados os que NÃO VIRAM e CRERAM!
Qual O Antônimo De Bendito?
Considerando que “bem-aventurado” é um termo que abarca felicidade, alegria e contentamento pleno, compreendo-o como uma indicação de ser “mais que feliz”: as bem-aventuranças descritas por Cristo transcendem o estado emocional passageiro; elas se aproximam do conceito de “bendito”.
Portanto, é apropriado afirmar: BENDITOS os que NÃO VIRAM e CRERAM. É nesta definição que reside a chave para o título desta postagem.
A Tabela Verdade Da Fé
Conforme exposto no quadro acima, a análise baseia-se na lógica proposicional pura. Se cada afirmação de Cristo é uma verdade absoluta — um axioma sem margem para relativismos — a estrutura “se p, então q (p → q)” se torna incontestável.
Se os que não viram e creram eram benditos na era apostólica, os que hoje possuem uma fé que prescinde do visual continuam sendo benditos.
Mas e o reverso? E aqueles que precisam de um sinal para crer? Os que peregrinam atrás de prodígios para sustentar sua parca espiritualidade? Os que só se dizem cristãos enquanto estão sob o efeito de “movimentos” sobrenaturais?
A resposta reside no axioma que encerrou a postagem anterior:
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.
É emocionante e incrível como a Bíblia, que é a Verdade, não se contradiz: a fé genuína só vem pelo conhecimento da Palavra de Deus!!
Tudo o mais é balela e, pior que isso, aqueles cuja “fé” surgiu por causa dos espetáculos místicos onde apresentadores supostamente obrigam o Senhor Deus a atuar miraculosamente da forma que eles mandam e quando desejam… simplesmente NÃO SÃO BENDITOS!
Se você compreende a gravidade do antônimo de “bendito”, entenderá o peso desta conclusão: é feito MALDITO todo aquele que quer passa pela porta larga da ignorância bíblica, para uma “vida cristã” na qual paga mercenários por “cobertura espiritual” ou para que digam que seus pecados não têm consequências.
É doloroso, mas é profético: quem fundamenta sua fé no espetáculo, e não na Palavra, está fora da maior bem-aventurança!
Conclusão: O Início Da Fé
Mas, Teóphilo, então quer dizer que Deus parou de atuar sobrenaturalmente?
Não estou, com este texto, defendendo o cessacionismo ou negando a existência de milagres. Creio firmemente que ninguém pode restringir o poder ou a soberania do Senhor.
Da mesma forma, testemunhar um milagre não torna ninguém maldito — eu mesmo já vi o sobrenatural agir.
O ponto central desta análise é o momento de início da fé.
Se o fundamento da sua crença depende da visão, do toque ou do sinal, você está invertendo a ordem lógica do Reino. A discussão sobre este tema deve ser pautada estritamente nas Escrituras.
Lendo o raciocínio desenvolvido até aqui, a discussão em defesa de uma posição diferente deve ser feita diretamente com base na Palavra, com referências pertinentes, pois simplesmente achar que isso é “feio” ou “injusto” só porque não é tão fofinho quanto o leite ralo que você vinha consumindo até agora não chega nem perto de ser suficiente!
Por favor, também levem em conta que não sou nenhum radical nem estou fechado às diversas possibilidades de interpretação: na próxima postagem, inclusive, vou abordar justamente essa questão quando falar sobre o CONJUNTO VERDADE e sua aplicação em relação à Bíblia.
Milagres podem estar acontecendo aos montes, mas você já parou para discernir quem os está operando e qual o objetivo real por trás deles?
Agradeço por acompanhar esta análise. Comentários, compartilhamentos e reações são fundamentais para que este conteúdo alcance o Corpo de Cristo.
Para facilitar o acesso, utilize o link:
https://cutt.ly/ver-pra-crer
MANUTENÇÃO DO FRONT
A Teologia é livre, mas a infraestrutura para mantê-la no ar contra a maré da indústria gospel tem seus custos. Este projeto rejeita patrocinadores e anúncios automáticos para não poluir sua leitura com o profano.
Se este conteúdo edificou sua fé — ou irritou os hereges certos — e você deseja ver este acervo crescer, utilize a opção abaixo. É seguro, direto e mantém a independência desta voz.
O conteúdo desse espaço diferenciado é destinado às diversas possíveis comunicações como, por exemplo, enquetes para definição dos próximos “Debates com InteligêncIA” e quaisquer outros assuntos não diretamente relacionados ao Evangelho: esta caixa roxa será gradualmente acrescentada aos artigos e estudos conforme forem sendo revisados e vai apresentar a mesmíssima mensagem em todos eles, mas sempre atualizada: o que você está lendo agora já pode ser totalmente diferente do que estava aqui na semana passada.
Se quiser saber de todo o histórico, minha intenção é mantê-lo registrado no Threads… me siga por lá!
Parafraseando o apóstolo Paulo em Efésios 6: 23-24: que a graça e a paz sejam conosco, todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade, hoje e para todo o sempre!


