João Batista, nascido para ser o arauto do Messias, pregou durante anos no deserto, cumprindo a profecia de Isaías 40:3 e sendo a “voz do que clama no deserto”, preparando o caminho do Senhor Jesus Cristo.
Durante esse tempo, ele viveu de maneira muito modesta, tendo como vestimenta uma túnica de pelos de camelo, um cinto de couro — descrição idêntica à de Elias, conforme 2º Reis 1:8 (indicando, como disse o anjo Gabriel, que ele andaria conforme o espírito do profeta do Antigo Testamento, algo confirmado por Jesus em Mateus 11:14) — e sua alimentação era baseada em gafanhotos e mel silvestre (Marcos 1:6 e Mateus 3:4).
Não há dúvida de que foi uma vida dura: ao longo de seu ministério e pregação, ele atraiu muitas pessoas com o ensino que divulgava — anunciando que o Salvador havia chegado e logo se revelaria — de modo que precisou formar discípulos para ajudá-lo a batizar, mas acabou também desagradando a muitos, especialmente a Herodes e sua companheira, Herodias, que, como é bem conhecido, conspirou até conseguir tirar a sua vida.
No entanto, depois desse trabalho árduo, qual foi a sua reação quando os seus discípulos lhe deram a notícia de que o nome daquele a quem batizara estava se engrandecendo mais do que o seu, e que os discípulos do anunciado batizavam mais do que o próprio João?
Suas palavras foram:
Ao que João esclareceu:
“Um homem não pode receber coisa alguma, a não ser que lhe tenha sido dada do céu.
Vós mesmos sois testemunhas do que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor.
O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que lhe serve e o ouve,
alegra-se grandemente por causa da voz do noivo.
Portanto, essa satisfação já se cumpriu em mim.
É necessário que Ele cresça e que eu diminua”.
Esta declaração remete diretamente à cultura do Antigo Oriente, da época e local onde estes fatos ocorreram: no dia do casamento, o noivo saía ao encontro dos amigos, que o acompanhavam até a casa da noiva para a posterior celebração da cerimônia, mas, no entanto, o papel deles era secundário — apenas preparar e anunciar a festa — enquanto o personagem principal era o noivo, que os convidava a participar de sua alegria e da festa.
Na hora em que ele chegava, todos os demais presentes tinham o papel de partilhar da alegria de seu amigo, mas esta alegria acontecia por causa da presença dele, não dos amigos: ele era o responsável por tudo estar acontecendo, enquanto os demais eram, o tempo todo e por assim dizer, “executivos em um papel de apoio”.
Da mesma forma, depois de tanto tempo anunciando e preparando o caminho do Messias, João se alegrou em ver que sua tarefa estava terminada e que, como disse, “a alegria já se cumpria nele”: tal como o amigo do noivo, que se retirava dos “holofotes” para que o noivo aparecesse e tivesse a protagonismo, João reconhece que ele deveria diminuir para que Jesus crescesse.
O Noivo Celestial da Cristandade, o próprio Senhor Jesus, tem de ocupar o cerne de tudo, fazer com que a fonte de toda a glória e satisfação seja Ele próprio, revelando aquilo que os seus mensageiros anunciaram.
Mesmo que não haja a plenitude disso na Terra, o pertencimento a Cristo é algo que supera e tem infinitamente mais valor do que qualquer honraria ou condecoração humana, mesmo a de ser um mensageiro das boas-novas da Salvação: os que “prepararam o caminho” não o fizeram para satisfazer seu próprios orgulho, vaidade pessoal ou glória, mas para aqu’Ele que por eles morreu e ressuscitou!
Temos mais exemplos desse desprendimento da glória e da vaidade terrenas na Escritura: Moisés em nada se sentiu enciumado quando outros dois anciãos, Eldade e Medade, receberam o Espírito de profecia, dizendo a Josué que seria ótimo que todo o povo fosse profeta e não só ele (Números 11:25-29); Paulo diz aos Coríntios que ele e Apolo eram servos por meio dos quais eles haviam sido trazidos à Fé, mas que o crescimento veio de Deus (1ª Coríntios 3:5-7).
A Grandeza de Jesus Cristo
Diante disso, que sentido ou que coisa digna de aprovação pode existir na atitude de quem tenta fazer o seu próprio nome usando o nome de Deus?
Temos tantos casos de pessoas que lideram comunidades cristãs e chegam ao ponto de brigar entre si, para que a “propriedade” de uma simples placa seja exclusiva…
Há também outros tantos capazes de “sabotar” o ministério de um servo, apenas para tomar as pessoas que ele lidera, para si.
E não é possível, de forma alguma, encontrar nas Escrituras uma forma de aprovar tais atitudes: são essas as pessoas que estão querendo fazer o seu nome ser maior do que o de Cristo!
São esses os que querem crescer fazendo-O diminuir.
Falta, para muitos, entender e viver de acordo com o Espírito que Paulo demonstra ao escrever o seguinte, de dentro de uma cela de prisão:
É verdade, contudo, que alguns proclamam a Cristo por inveja e rivalidade, porém outros o fazem com boas intenções.
Estes o fazem por amor, conscientes de que fui posto aqui para defesa do Evangelho;
mas aqueles outros, anunciam Cristo apenas por ambição egoísta, sem sinceridade, imaginando que podem aumentar o sofrimento ocasionado por essas minhas algemas.
Todavia, que importa?
O importante é que de qualquer forma, seja por motivos escusos ou nobres, Cristo está sendo proclamado, e por isso me alegro.
Em verdade, sempre me alegrarei!
Para o maior evangelista de todos os tempos, nem mesmo o motivo importava, nem mesmo se Cristo era pregado por aqueles que o odiavam, motivados por vaidades pessoais: o que importava era Cristo ser pregado!
Ele tinha em si o mesmo entendimento — “Convém que ele cresça e que eu diminua” — que habitava em João Batista.
A glória por testemunhar de Jesus Cristo não é algo pelo que ninguém deve esperar receber… ao menos não neste mundo!
Pelo contrário, o nome do pregador sempre tem de estar sujeito ao do Salvador, pois a Glória pertence a Ele, que a compartilhará com os seus servos na eternidade.
Até este dia, que o nome de cada um que testemunha o nome de Jesus seja sempre ofuscado pelo nome daqu’Ele que o enviou.
Que cada um de nós diminua para Cristo crescer, pois a vida eterna em sua presença é infinitamente melhor do que qualquer honraria terrena.
Nos Laços do Calvário
TÍTULO ORIGINAL: VOSSO PECADO VOS HÁ DE ACHAR
MANUTENÇÃO DO FRONT
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Parafraseando o apóstolo Paulo em Efésios 6: 23-24: que a graça e a paz sejam conosco, todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade, hoje e para todo o sempre!
