A antiga taça Jules Rimet — conquistada em definitivo pelo Brasil ao ser tricampeão mundial em 1970 — não existe mais: foi roubada da sede da CBF e derretida em 1983, de modo que a atualmente existente é uma réplica, guardada com muito mais segurança.
Entretanto, a Taça FIFA original, em ouro maciço, carrega consigo uma inacessibilidade que serve como um chamado à reflexão teológica profunda.
A partir de 1974, após a Conquista definitiva da Jules Rimet pelo Brasil, a Taça FIFA passou a ser o troféu oficial da Copa do Mundo.
Diferente de sua antecessora, ela não pode ser ganha em definitivo: a seleção campeã do mundo permanece com a original apenas até a Copa do Mundo seguinte, devolvendo-a para receber uma réplica folheada que, essa sim, fica em definitivo em sua posse.
Esse protocolo rígido visa preservar não apenas o metal precioso, mas a mística do objeto.
A Rigidez Das Regras Sobre A Taça FIFA

A regra da federação internacional é clara: apenas campeões do mundo e chefes de estado podem tocar a Taça FIFA com as mãos nuas. Qualquer outra pessoa, incluindo funcionários da própria organização, deve manuseá-la obrigatoriamente com luvas.
O recente episódio envolvendo o Chef turco Salt Bae, que violou essa norma na final da Copa de 2022, resultou em inquéritos e punições severas. O acesso ao troféu é, tecnicamente, comparável à segurança de instalações nucleares.
É claro que a FIFA alega que “isso é por questão se segurança e para que o troféu não se desgaste com o manuseio desregrado” e jamais admitirá que o verdadeiro objetivo disso é despertar a vaidade humana: quem não se sentiria “o cara”, tendo acesso a algo a que poucos no mundo tem?
Exatamente por isso, bem como pelo prestígio — e consequentemente o dinheiro que a conquista desse direito acaba gerando —, a disputa por esse direito de manusear a taça FIFA com as mãos nuas faz com que muitos se empenhem para ganhar a Copa do Mundo como se fosse a coisa mais importante de suas existências, já que isso os equipara aos chefes de estado e abre portas para que ganhem muito mais dinheiro do que a maioria das pessoas jamais poderia sonhar em obter.
Contudo, por mais difícil que seja chegar ao topo do futebol mundial para tocar o ouro, isso ainda é humanamente possível: existe um caminho de mérito para se tornar um campeão ou um líder político.
O Mistério Da Luz Inacessível
Há algo, porém, a que ninguém pode ter acesso por méritos próprios ou esforço humano: a Glória Divina. Enquanto a Taça FIFA é visível a qualquer espectador, a Glória de Deus é ontologicamente inacessível ao pecador.
Paulo revela em sua epístola:
O único que é imortal e habita em luz inacessível a quem ninguém viu nem pode ver.
A Ele sejam honra e poder para sempre.
Amém!
A inacessibilidade à Glória Divina é absoluta para o ser humano, a tal ponto que nem mesmo ao maior profeta do Antigo Testamento foi permitido contemplá-la!
Deus só permitiu a Moisés, ainda em seu estado pecaminoso no mundo, contemplá-lO “pelas costas”, ou seja, apenas uma ínfima parte de sua glória, porque olhar diretamente para a face de Deus significa a morte para os pecadores (veja Êxodo 33:17-23).
E mesmo assim, com essa pequena “amostra grátis” da glória divina, o rosto de Moisés passou a brilhar tanto que os demais israelitas não conseguiam fitá-lo, de modo que Moisés teve de usar um véu sobre o rosto para falar ao povo, só o retirando quando voltava a falar com Deus (veja Êxodo 34:29-35).
Diferente da Taça FIFA, não há nada que se possa fazer, em termos humanos, para que se conquiste esse direito de contemplar a Glória Divina: o acesso direto da humanidade ao Senhor Deus foi cortado pela queda em pecado, tornando o ser humano indigno de tal privilégio e transformando a terra em um lugar amaldiçoado (veja Gênesis 3:17).
A Única Maneira De Contemplar O Sagrado
Existe, porém, uma forma de o ser humano contemplar a Glória de Deus.
Contudo, para ser contemplada (e diferente do mérito humano exigido para tocar a taça FIFA), a Glória de Deus exige algo que o ser humano não pode alcançar: a santidade, ou seja, a ausência completa do pecado… e é evidente que não existe nenhum ser humano sem pecado no mundo (veja 2º Crônicas 6:36).
Dessa forma, ninguém pode contemplar a Glória Divina… sob pena de morte!
A única forma pela qual o ser humano pode contemplar a Glória de Deus é, no entanto, mais simples do que se poderia imaginar, pois não envolve nenhum mérito humano, mas, conforme disse o Senhor Jesus a Marta:
Disse-lhe Jesus:
Não te tenho dito que, se creres, verás a glória de Deus?
De fato, ninguém tem nada a fazer para contemplar a Glória de Deus além de crer em Cristo Jesus!
É algo totalmente gratuito ao ser humano que crê, mas isso não significa que foi um “acesso” obtido de forma gratuita: pelo contrário, o preço pago foi muito maior do que anos de treino e vitórias em jogos até se vencer uma Copa do Mundo; ou ser eleito chefe de estado… estas coisas podem ser obtidas por mérito humano, mas a santidade, não.
A Lei de Deus é tão Perfeita e Santa que, sob pena de ser inteiramente violada, não admite um só pecado.
Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto,
tornou-se culpado de todos.
Absolutamente ninguém seria capaz de cumprir a Lei de Deus além de seu divino Filho, Jesus Cristo, e ninguém além d’Ele poderia também sofrer o castigo que o pecado acarreta a ponto de satisfazê-la, e transferir esse mérito para o ser humano que crê.
Desse modo e diante de Deus, Jesus é o “fiador” que pagou a dívida que nunca poderíamos quitar, nos dando acesso ao Pai Celestial e, só assim, o acesso à Glória Divina na eternidade é assegurado a todos os que n’Ele creem.
Ainda em nosso estado atual não possamos contemplar a Glória Divina porque o pecado ainda está em nós, mas, na eternidade, não estará mais!
A filiação do ser humano a Deus passa por três estágios:
No momento, cada cristão está no segundo estágio, na luta contra o pecado, que vai se encerrar com o fim da vida terrena, quando será glorificado, ficando eternamente livre do mesmo, contemplando a Glória Divina sem qualquer restrição, na presença visível de Deus.
O apóstolo Paulo fez um registro em relação às Olimpíadas — já disputadas em seu tempo — que se aplica perfeitamente à Copa do Mundo dos nossos dias:
Não sabeis que entre todos os que correm no estádio, na verdade, somente um recebe o grande prêmio?
Correi de tal maneira que o alcanceis!
Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso,
e isso, para obter uma coroa que logo se desvanece;
no entanto, nós nos dedicamos para ganhar uma coroa que dura eternamente.
Tal como os atletas Olímpicos — que desde o século VIII A.C., competiam para alcançar a coroa de louros que era dada ao vencedor, diferente das medalhas dadas aos vencedores na era moderna, coroa essa que logo murcharia e se desfaria em pó —, os jogadores de futebol de hoje lutam para ganhar uma taça que, por mais valiosa que possa ser no mundo de hoje, também vai passar, se desfazendo no dia da vinda de Cristo.
Mas a glorificação e o direito concedido aos glorificados jamais vai se perder. Isso vale muito mais do que vencer todas as Copas do Mundo, ou todas as medalhas Olímpicas, ou o que for neste mundo.
Toda a glória terrena vai terminar com o fim da vida neste mundo. A contemplação da Glória Divina, no entanto, jamais será tirada dos salvos na eternidade.
Nos Laços do Calvário
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